6/10/2007
A expectativa é melhor do que a festa
Daí eu estava escrevendo um texto sobre os espelhos... parei!
Comecei a escrever outro sobre o Mark, que odiava tomar banho no frio, patentes, e ser impedito ou proibido de dizer algo. Terminei em partes, voltei ao espelho.
Deu preguiça. Mas ele será o máximo, e enquanto eu o mantiver em chama acesa, será lindo, mesmo ainda que seja apenas expectativa...
.
6/01/2007
"Sou o recitante apenas do começo, o final desta história, assim como minha própria morte, pertence aos outros..."
Persistência da Memória e o Distanciamento Amoroso
Eu que morri por você
Não sabia sequer ficar atento
Perdido entre algo novo
Acreditei no sentir
No fazer
Do sentimento o verdadeiro
Na ponte mágica
Entre um e outro
Eu que amei você
Não sabia o que pensar
Entre as ofertas de viver
e viver o você
Entregou-me e sufocou a verdade
Ou esta sufocou
me e te
Ou a criança pulou do precipício
sem agüentar mais a vertigem
Estancou-se o ar
Eu que não vi você
Deixei passar querendo te ver
Estava ali
Olhei e não via
Virei enquanto você passava
Destinos avessos?
Ou querer desejar?
A morte do querer
Eu que morri por você
Não te vejo mais
Por estar morto
Por ter te matado
Não sou mais que um assassino
Sou apenas o criador de um novo começo
O amor que disse seu nome
E foi embora
Mas quem vai embora, também fica
E quem fica, também diz adeus.
Amei você
Entre outras, morri
Agora que te vejo, assim de perto
Não parece aquilo que era
Você se transformou
Foi o passar do tempo?
ou a persistência da memória?
Alex Wild - 21 de maio de 2007 - fragmentos
5/29/2007
A Esfinge
A natureza misteriosa da sua pergunta devora a si mesma!
Como vou saber, não tive só vc como mulher, não posso dar a resposta pois nao decifrei este enigma... Quem é vc?
5/25/2007
O amor é maravilhoso... não tenho a menor idéia do que isso significa!
Gênero poesia - 2004
Desde que minhas asas não se quebrem em suas mãos
Desde que minhas palavras não se calem em sua presença
Desde que o começo não seja apenas o final de uma expectativa...
Posso ser seu anjo e te cuidar
Posso ser seu poeta e te cantar pelos ares
Posso ser Seu e Meu, mas desde que
Somente desde que...
Se perderes a força e a coragem
Se ânimo te abandonar nas decisões
Se o desespero tomar-te por inteiro e toda parte
Estarei pronto a caminhar lado a lado
A recolher suas lágrimas e olhar ambos caminhos
A guiar-te e a gritar quando sua voz ameaçar faltar...
Mas desde que minhas asas estejam leves
Minhas palavras sempre soltas
Desde que tudo não seja apenas pelo momento...
E se for, que haja verdade
Desde que não me castre o sonho
A esperança, e o amor...
Desde que não partas ao meio as asas
Estarei a cuidar e a perdoar
Desde que, somente desde que...
Alex Wild pode ligar a música que está dentro de você.
Alex brinca, te provoca, e sabe exatamente o que fazer para você corar...
Ele te leva para casa, te joga como seus dados, te expõe, ele é furioso...
As pessoas dizem que ele é um espião, mas ele é só um menino!
29/11/2004
5/22/2007
Quem pode guardar um segredo? - Esfinge
Gênero poesia
O Segredo
A arte secreta de contar um segredo
Eu tenho um segredo
Não posso dizer qual é
Entre as palavras ele pode deslizar
Entre olhares, escancarar-se
Sem se entregar
Sem perceber-se
Ou a alma é atenta
Ou está perdida:
Flutuante em toda espécie de cacos
troncos e migalhas.
Eu tenho um segredo
Eu posso dizer qual é
Ele está dito em minhas palavras
Antes de dizê-las
Ele está estampado no olhar
No ar que sai da minha boca
Entre uma palavra e outra
Eu disse um segredo
Entre os ares e as artes
Estampado
Dito por dizer
Sem saber que era um segredo
Não foi visto
Passou por ai
Não foi notado
Não era assim tão grande
Molecular
Atômico demais
Fragmentado
Talvez imenso, mas disforme
E atômico demais
Pode explodir
Ou...
Ou o que se queria, era a sensação da descoberta
E não do segredo...
Alex Wild 21 de maio de 2007
Todo começo vêm do fim de outro começo
5/16/2007
"A novidade é o máximo! Um paradoxo estendido na areia..."
Uma luz, uma sombra?
Tudo pode acontecer desde agora para frente...
...experimentando meu próprio doce...
Gênero poesia
Para Alex Wild, seus silêncios e seus espelhos
Atordoada
Você é cínico e lindo
Sempre faz uma cena
É delirante, monocromático
Não é nada que você parece
Eu estou me afogando em sua vaidade
Seu riso é uma doença
Você é sujo... Você é doce
E sabe que é tudo pra mim
Tudo o que você é
Cai do céu... é estrela
Tudo o que você é
Sempre que, sempre que...
Eu quero chutar sua máquina
Jogar fora todos seus sonhos
Destruir suas defesas
até não sobrar nada
somente eu
Você é lindo quando está nervoso
Bravo por ser belo
Seu amor é tal brincadeira
Eu estou me afogando
em seu barulho atordoado
Quero o sentir do seu grito
Tudo o que você é
Quedas do céu como uma estrela
Tudo o que você é
Tudo que sempre você foi
Pós poesia:
Eu me entreguei secreta e delirante,
ao menino do olhar que penetra já de saida,
...sua personalidade encantadora
e ele nem sabe disso, sabe Alex?!
5/15/2007
Entre os espelhos quebrados...
Cante para Dormir
Estrelas perdidas numa noite prateada...
Bem longe, do outro lado!
Onde eu já não alcanço
Estrelas prateadas
Num céu já não meu
Uma silhueta, seis vezes, e uma sombra
Uma sombra na esquina
Era minha
Era eu na esquina que me olhava
Triste
Entorpecido
Onde eu estava?
De porta em porta
Fantasmas
luzes da cidade
- Fique comigo!
Eu dizia:
- Fique comigo...
Mas eu não respondia!
Virei as costas
Fui embora
Partido
embora
perdido
GRITO: - Uma só noite pode enlouquecer uma mente sã...
...
Era um menino
Quem estava parado
Ali mesmo, parado
Por que não andava
se estavam esperando
por este menino?
Uns diziam que ele não se mexia
Por medo de machucar o mundo
Mas ele nem era grande
Digo, não parecia!
Até que eu o encontre este outro
“Que nas mãos Deus guarde sua alma”
Ou que tenha as estrelas
Em sua palma
Mas que não fique assim, tão solto!
GRITO MAIS ALTO: - As paixões reduzem todo o mundo!..
...
Ele estava tão assustado
Tão amedrontado
Ele poderia fazer tudo
Mas não ouvia
Não andava
Não esperava
Era sombra
Era só um menino
Escondido numa roupa tão boba
Até quando...
Até quando?
Alex Wild está em busca de três coisas,
por isso ele está de volta entre nós!
23/12/2004
5/06/2007
Tem até jornalismo...
São Paulo viveu, nos últimos 5 e 6 de maio, uma maratona cultural de 24 horas com atrações de todos os gêneros; música, teatro, circo, cinema, dança, literatura, visitas a museus, exposições e festas, fechando pelo terceiro ano a Virada Cultural paulistana.
O evento demonstrou a amplitude artística da maior cidade brasileira. Centralizado em cinco pontos, distribuídos por todas as regiões da capital, São Paulo ouviu a voz de Moraes Moreira, que declarou que “a Virada é um evento de paz”, Paulinho da Viola, Caubi Peixoto, Nação Zumbi, Pato Fu, Língua de Trapo, entre outros, e foi encerrado pela voz da cantora Zélia Duncan, que se apresentou às 18 horas no palco Boulevard São João.
Inspirada nas “Noites Brancas” européias, quando diversos acontecimentos culturais são realizados nas ruas das principais cidades, dentre elas Madri, Paris, Roma, a Virada Cultural está indo além este ano, pois o evento sai da capital do Estado e se dirige ao interior paulista. O evento acontece nos dias 19 e 20 de maio, duas semanas após a Virada Cultural na capital paulista.
Araçatuba é uma das 10 cidades que entram na programação. Realizado pelo Governo Estadual de São Paulo, Secretaria do Estado da Cultura em parceria com o SESC, e pela prefeitura de Araçatuba através da Secretaria da Cultura da cidade, o evento vem para fortalecer os espetáculos artísticos, incentivar a cultura e consolidar a cidade como pólo cultural da região. “As apresentações de Araçatuba se destacam por seu ecletismo e demonstram qualidade em seus shows”, afirma o Secretário da Cultura Alexandre Sônego de Carvalho.
Esse ano o evento ocorrerá em 10 cidades, mas a expectativa é ampliar para 21 no próximo ano.
A programação completa pode ser vista no site da prefeitura de Araçatuba, o endereço é http://www.aracatuba.sp.gov.br/.
5/03/2007
Breve comentário sobre teatro
Simples como o próprio fim!
Estávamos ali naquela sala fria!
O ambiente de aparência monocromática era tão estéril quanto a impassibilidade em pessoa! Éramos médicos que assistiam aquele final de homem. Final de uma existência. O que pensa um homem que está com os minutos contados?
A existência se extingue! E ela se extinguia ali na minha frente. Suspiro. E não foi nada suave. Foi de morte mesmo. Eu poderia ser esse homem que se extingue. Os breves minutos pareciam uma vida para aquele ser em despedida.
Suspanto, assim poderia ser chamado por Mário de Andrade, caso ele estivesse ali naquela sala gélida, ouvindo os talvez trágicos sons humanos, assistindo a nossa Cosmogonia.
O público se vestia com artefatos brancos. Máscaras, luvas, gorros, proteções para os pés. Tudo para não haver nenhum contágio. Assim começa a peça “Cosmogonia – experimento n° 1”, escrita por Rodolfo Vásquez e dirigida por Alberto Guzic.
Minutos antes do início do espetáculo, o clima já se transforma. O público começa a vestir os apetrechos médicos que são distribuídos na entrada do teatro para assistir (ou participar) as cenas que viriam a seguir, na “sala do hospital”. A platéia semi-rodeia os artistas. Ivam Cabral vive o cientista que desaparece para a existência. Cléo de Páris é a deusa que dialoga nos delírios ou na sobre-realidade em que se encontra o personagem principal da peça. O público faz parte da peça, pois está dentro do cenário. Nem é preciso dizer que é um espetáculo incomum. Com essas descrições, nem que tentassem não cairiam no óbvio. Nada é óbvio. Os questionamentos que aquela arte sugere, e algumas vezes explicita, são de natureza universal.
O texto é focado na Teogonia, de Hesíodo, o primeiro grande relato cosmogônico da cultura clássica grega. O cientista agonizante se encontra com duas divindades gregas, a Musa Belavoz e outra, a Moira Inflexível, esta responsável pela partida dos homens e dos deuses. O personagem de Ivam Cabral pede para que as musas expliquem a natureza do universo, seus pensamentos questionam os limites da ciência frente a vida e a morte.
Espetáculo de recursos muito criativos, um deles é que os espectadores, em alguns momentos, precisam puxar um pano branco com buracos onde colocam a cabeça, separando assim esta parte do resto do corpo, causando uma sensação de estar em outro plano, outro cosmo; mente separada do corpo.
O superficial é contagioso. Às vezes é preciso presenciar uma tragédia para sentir que há sangue pulsante dentro das veias. Eis o momento, Cosmogonia te coloca em uma!
Esta peça de Rodolfo Vásquez caminha longe daquele esquema começo-meio-fim, o desespero da vida já se inicia no estágio final. À beira da morte. As horas contadas. As agulhadas sonoras são constantes e arrepiam até se não fossem ouvidas, parecem entrar pelos poros. Luz, sons, olhares, brancura, frieza, morte, uma circulação natural cósmica, a cadeia alimentar universal a qual nenhuma criatura, nenhum homem já provou, e nem vai escapar!
Quem aqui não está com as horas contadas? Mas isso não importa, você é somente mais um a ser engolido...
Texto, cenário e direção: Rodolfo García Vázquez
Iluminação: Emerson Fernandes
Trilha Sonora: Ivam Cabral
Elenco: Ivam Cabral, Cléo De Páris, Eduardo Castanho e Eduardo Metring
Quando:Quinta e sexta às 21h30. R$ 20,00
Duração: 60 minutos
Recomendação: Impróprio para menores de 14 anos
Em cartaz por tempo indeterminado
http://www.satyros.com.br/
praça roosevelt, 214 CEP 01303-020 são paulo/sp - tel. (11) 3258 6345
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Quem sai da tragédia da vida deve se perguntar:
- O que realmente vale a pena ser vivido?
Algumas vezes se olha para o mundo e o que se vê são pessoas com suas aspirações desnecessárias. Todas elas querem tanto... Coisas tão complexas, sofisticadas, querem dinheiro, luxo, querem ser desejadas, serem regadas em abundância, tarjadas de nomes como Armani, Y.S.Laurent, Gucci, Coco Chanel, Calvin Klein. Tornadas poderosas por Olestra, Wistrol, Viagra... Essas pessoas querem ser a figura do outdoor, que em nada se parece com um homem (ou mulher) de verdade! Acreditam profundamente no slogan da L’evis dos anos 70: liberdade é usar um jeans L’evis! - será possível ser profundo na superficialidade?
4/28/2007
Pensamento dos vinte anos...
Dou-te beleza que não dura um dia
Vinho que em instantes evapora!
Se, de coração, meu intento é alegria,
Por que murcha pela vida ida embora?
Pra que flores se a cor não dura?
Por que tão bela se em breve enruguece?
Frescor: calor que a vida procura
Contínuo tempo, a seiva lhe esvaece...
Vejo em rosas meu amor parecido
De rubra cor em sentimento tornado
Pudera a Rosa ao Amor ter-se juntado?
Dou-te meu presente imortalizado!
Nunca as horas o terão consumido:
- O Amor fica após a flor ter-se ido!
3/30/2007
Desde sempre... pois o quando eu já perdi!
O Adeus Do Príncipe Dos Imortais !
Talvez a morte seja a única solução
Para um poeta vampiro
Que jaz sem vida.
Aproxima-se a Grande Porta
Da grande hora ,
do grande lugar
Onde a Divina Majestade
não poderá me aceitar !
Não há castigos...
Não há quem machucou...
As soluções são doces
Já que “o mal é um ponto-de-vista !''
Vou embora para muito distante,
onde as muralhas não me prendem,
onde as correntes são quebráveis
onde o Amor exista e seja Eterno !
Veloz Voraz Violentamente Voa Vida
Enfincando em meu peito, infinita estaca.
É tonteante, fulminante. É o golpe final !
Arrasto-me por sombras maquiavélicas
Caminho há milhares de anos,
Sem conseguir o presente
de uma alma errante
Que pela morte,
aspirante !
Precipito-me fantástico pela porta,
ao som de vozes discordantes.
Ficaria feliz se a cruzasse
Mas, impossível !
E o castigo, agora,
É juntar-me a uma imensa multidão
Que, ansiosamente, gargalha
Mas que nunca conseguirá sorrir...
Que angustiada sobrevive
Mas que nunca conhecerá o Viver...
3/21/2007
Para o bem e para o mal
Olhem as datas do que está escrito... as datas ditam, aliás, gritam os fatos, os momentos...
21/03/2007
3/20/2007
Caco de Vidro
Hoje eu tirei o teclado para escrever sobre o amor, o velho, o surrado, e enjoado amor!
Todo natal eu me sinto triste como você. Mais abandonado talvez! E nesse não foi diferente! Mas os motivos foram.
Foram e se foram!
Foram como os heróis, como o John se foi, como a Teresa foi embora e até hoje não voltou; seu marido a espera desconsolado.
“Desconsolado”.
Será que foi nisso que pensei quando comecei a qualificar o amor logo na primeira linha? Desconsolado por quê?
Ego mal massageado? Será que com cara de bobo me perguntava, “cadê todos que me amavam?”
- Quero aquele sorriso de madrepérola constante e natural, ao meu lado, dentro de mim! Quero o cheiro das rosas das suas róseas maçãs que... que... OK, forget! Deixa eu mudar tudo! Sair desse ultra-romantismo e cair diretamente dentro do “carpe diem” do arcadismo luso brasileiro!
Venha comigo fugir
Não perca mais nenhum instante
Não permita a juventude...
Que te olhe distante,
que desfaça a pétala antes de abrir
Venha minha bela, venha minha estrela!
Venha ver a lua que solitária me acaricia,
Por detrás do vidro da minha janela!
- So, why don`t you slide into my room?!
- (Então desliza logo aqui para dentro do meu quarto!)
Vamos Evoluir na máquina do tempo deste papel!
Vamos nessa.
Modernismo:
Apresentando a peça:
O amor por detrás de um caco de vidro!
- Ou será o amor, um caco de vidro?!
Alex Wild
Indo Nessa
Dezembro 2002
3/09/2007
Do discurso da arte à ideologia do digestivo
Ainda tenho nas mãos a edição N° 02 da Revista “Entre Livros”, com uma imagem de Joyce segurando Ulisses. E desde o momento que a vi, senti que encontrei algo que procurava.
Numa época de consumo e culto à forma física, de avalanche de informações que sobrecarrega nosso discernimento, como a que vivemos hoje, é diminuta a proporção de atenção dada a qualquer tipo de arte. Ainda pior do que isto, outro fato está avesso; é chamada de arte toda e qualquer manifestação escultural, cênica, musical, e escrita que seja divulgada pelos veículos de comunicação, o que transtorna e distancia ainda mais as verdadeiras formas de arte, pois alienam sempre mais, e em muitos casos irreversivelmente, a população, impedindo-a de conhecer e ainda mais de produzir, o que ela é induzida a negar; a criação.
Na fase em que os jovens estão estudando no ensino fundamental e médio, quando eles poderiam/deveriam começar a desenvolver suas personalidades e gostos com mais ímpeto, eles são persuadidos a fazer e a saborear o que possui o gosto mais óbvio e a sensação mais imediata, sem que seja preciso pensar. A literatura é empurrada e entregue a eles como se fosse uma ferramenta para poderem conseguir uma vaga nas universidades, e somente isso. No entanto a brevidade da função do estudo dessa área é falsa.
São dadas como acontecimento literário mundial as escolas literárias brasileiras e portuguesas. Mas a maioria das inovações da arte (escrita inclusive) surgiu em outros países da Europa, não somente em Portugal, das outras Américas e da Ásia. Pouco é ensinado sobre o renascimento italiano e francês, que foram fortíssimos, tomando como exemplo o episódio da capela italiana Cistina, que foi repintada para esconder o nu da obra de Michelangelo, do simbolismo profundo de Baudelaire e de outros franceses, do ultra-romantismo alemão de Goethe e até da literatura filosófica de Voltaire, que é citado na disciplina “história” no período pré-revolução francesa, mas que nada se fala de seus escritos. É suprimido dos livros didáticos o espírito modernista e inovador francês que se projetou na arquitetura (Art nouveau), na pintura expressionista e numa fortíssima forma de arte, representada pelos cartazes publicitários que anunciavam revistas e peças de teatro, antecipando o “pub” das publicações de hoje.
A literatura é apresentada ao adolescente, que é o homem em sua fase mais eufórica, como uma chatice estática, levando-o a questionar os motivos de se estudar essa arte, pejorativa e indevidamente chamada de disciplina, fazendo-o crer, às vezes, estudar uma complicação mórbida e inútil.
A revista é um rumo a quem queira se aprofundar mais na literatura, um estímulo a quem queira conhecê-la e um incentivo a quem não acha vida nesta velha e profunda amiga.
É lindo ver colocada a literatura universal ao alcance de mais camadas da sociedade, através da visão panorâmica literária e da direção da leitura que dará rumos a quem queira começar ou continuar nesse universo.
Os artistas defendem a arte como a si mesmos. Já no âmbito da importância da literatura, o seu objetivo não é só entreter e fazer com que os seres humanos passem momentos agradáveis, perdidos na irrealidade, eximidos do inferno doméstico ou da ansiedade econômica, em espontânea indolência intelectual, as ficções da literatura não podem competir com as oferecidas pelas telas de cinema ou tevê. As conexões edificadas com a palavra exigem a participação ativa do leitor, um esforço mental, de sua imaginação e, às vezes, quando se trata da literatura moderna, exigem dificultosas operações de memória, associações e recriações, algo de que as imagens do cinema e da tevê prescindem os espectadores. E, por isso, os espectadores se tornam cada vez mais preguiçosos, mais alérgicos a qualquer que necessite de esforço do intelecto.
Em depoimento magnífico, o peruano Mário Vargas Llosa insiste no valor da literatura em comparação com outras atividades: "As ficções apresentadas nas telas são intensas por seu imediatismo e efêmeras por seus resultados. Prendem-nos e nos liberam quase de imediato. Das ficções literárias, nos tornamos prisioneiros da vida toda, porque o resultado de uma boa literatura é sempre posterior à leitura - um efeito deflagrado na memória e no tempo.".
O interessante é valorizar a arte, mas conhecê-la primeiramente, a torna ainda mais atraente.
Aqui no Brasil, até o início da década de 60, a leitura de obras literárias era considerada uma obrigação regular por parte de docentes e discentes, não havendo quem questionasse o sentido do ato de ler. O que deve ser lembrado, é que no Brasil, o livro exercia desde o século XIX diferentes funções, claro que para os grupos sociais privilegiados: era o lazer perfeito; era uma insubstituível fonte de conhecimento humano; era o reflexo do país, na qual a minúscula elite cultural se enxergava; era o modelo superior de correção das formas e elegância do idioma pátrio.
Nesta mesma década, houve uma grande universalização e democratização do ensino, que permitiu o acesso de outras classes ao saber, e não comente das privilegiadas. Estes novos personagens sociais, no entanto, vinham de um mundo sem livros e com fracas referências culturais. E antes que a tradição da leitura se enraizasse às suas existências, foram chamados para a poderosa indústria cultural que se implementava na mesma época. Tal indústria, focada na tevê e na música dos discos, conquistou imediatamente notáveis parcelas da população “recém-alfabetizada”. As necessidades de entretenimento e informações, foram recheadas por estes meios audiovisuais. E a leitura foi derrotada na batalha da audiência, transformando-se em espécie de atividade refinada de pequena parte cultural e saudosista da população.
Até as elites, acabaram deixando em partes o seu antigo parceiro, que lhes oferecia um céu de imagens e de visões universais, comercializando-o por uma sub-arte mastigada e facilitada, produzida pelos meios de comunicação de massa.
Para se desafogar, a literatura tornou-se dietética. Sem responsabilidades, roteirizada, e imbecil.
Desculpe pelo desabafo, acho que tudo o que disse vocês já sabiam, mas o que pretendia era elogiá-los e parabenizá-los, pois como eu disse no começo desta carta, com sua revista eu encontrei o que procurava, já que meu trabalho de conclusão de curso do passado foi uma revista chamada “Proscritos & Polêmicos”, sobre a arte maldita, tendo Oscar Wilde como escritor da edição número 0.
Grato pelo trabalho
3/08/2007
Lá do fundo da gaveta vêm as teias, mas já sem as aranhas...
Tempo!
Nessa chuva de desafetos,
Dissolvem-se belezas,
as vãs alegrias
pois o belo por essência
é em pedra esculpido
não em barro moldado!
“A essência perfuma a flor
pois as aparências
se perdem
com a chuva
do tempo...”
Numa noite sem medos
Joguei uma pedra na vidraça...
Quebrei meu reflexo!
E ainda refletia...
Mil de mim
em mil partes dela
(mostrei quem era mais duro...)
Intacto,
Eu mudei o mundo!
Alex Wild
26/10/2001
3/06/2007
O Deus e a Ninfa
Disse o deus em depoimento a si mesmo ao observar o passar do tempo:
- Agora mesmo escureci o dia lá fora.
Fechei os céus. Entristeci as nuvens. Mesmo o mirmidão mais valente e impetuoso hesitaria em sair por alguma porta.
- O fato de ser um deus me garante o direito de ser vingativo. Não estou conseguindo sê-lo. O que eu admiro nos homens é sua capacidade de regeneração. De mudar as coisas. Mudar suas idéias. Eles também se vingam, como nós mesmos fazemos. Neste sentido eu sou menos que um massificado humano. Não consigo me vingar.
Quanto a sofrer:
- O sofrimento lhes foi dado como presente constante e eles se apaixonam sempre, alguns deles nem isso conseguem. O deus do caminho do meio se enxerga sem discípulos nesses últimos milhares de anos.
Observando a mudança dos ventos:
- A noite vem chegando com inexorável força diária. Um golpe dado com muita força pode ser fatal contra quem ele é desferido. Mas como toda grande onda ou fria avalanche, pode também ser manipulado. Nós manipulamos. Os homens também manipulam. E ambos são enganados. A noite vem construindo a solidão dos angustiados. A noite é uma avalanche. Vou terminar este dia com uma escuridão vazia. Assim amanhã será completamente o amanhã. E lá poderei inventar novos caminhos, fechando velhas entradas e abrindo novas saídas.
Quanto à ousadia:
- Os deuses também são importunados. Ousada ninfa quem impede a minha construção da agonia. Eu devo ter sido enfeitiçado. Provoco grandes trovoadas para distrair minha atenção. Esse objetivo, que é a causa do escurecer dos dias, é parte de uma jogada apenas. Essa sutil e tão óbvia cartada é também irresistível. Ela me direciona seus lábios e profere palavras com suavidade, mas que é ouvida mais longe que os trovões. Esse é o tom do encantamento. Esse fascínio a que nem mesmo os deuses ou anjos estão protegidos, é grande causa de sofrimentos.
O escurecer do dia:
- Estou dando forças para o carrasco, mas quem pode enforcar um deus? Aquilo que protegi descaradamente, que me fez ser julgado por outros deuses e homens por proteger, irracionalmente e imparcialmente, uma ninfa, está a infantilizar meus relâmpagos, a sutilizar meus trovões. Quando abandonarei esta ninfa-estaca que se enfia no meu coração? Quanto mais eu a agarro, mais a prendo em mim, infinitamente ela me corrói, até escurecer minha visão.
Voz narrando:
Neste mesmo instante, escuta-se um ranger de portas. Passos se direcionam para o ambiente desse deus apático. É a ninfa a quem ele tanto buscou e protegeu. Ela não é tão alta. Não é tão séria. Não é tão rósea. Ela olhou o deus de frente, entregou-se a ele, o criador das tempestades. Ele com seus olhos divididos entre chuvas e lágrimas, seus lábios entre o beijo e o espanto, se enxergou como um homem, e como tal se jogou nos braços da ninfa.
Lá fora começou a se ouvir o cantar dos pássaros. O abrir das flores. A brisa quente entrava pelas frestas de todas as casas e nenhum sábio soube explicar o nascer do dia durante a escuridão da noite. Talvez fosse uma resposta ao escurecer da noite sobre a luz do dia... Os mirmidões souberam transformar a fraqueza da luz em força da sombra, entraram no castelo de seu inimigo, pela porta da frente. O dia veio intenso em seu calor devido à longa espera pelo fim das horas nebulosas.
Então ao alto das nuvens, agora claras como pétalas de lótus que saem sempre cândidas da lama, se reuniram, já cansados de suas próprias existências, outros deuses e criaturas divinas. Todos condenavam o que estavam assistindo. O mais moralista e católico dos homens não teria percebido que todos ali eram divindades, e teria se esquecido que estava acima das nuvens, de tão grande hipocrisia que o ambiente exalava.
Caído em cima de milhões de gotículas de água e vapores, que vistas de longe são parecidas com as nuvens, estava aquele deus entristecido, agarrado ao seu objeto de valor; uma grande rosa repleta de espinhos, e o maior e mais venenoso deles, enfincado em seu peito desprotegido, ambos sem vida; o deus e a rosa.
Alex Wild
Escrito em 2004
Amaral Gurgel - centro de São Paulo.
3/01/2007
Se você está com pressa e não consegue ler o conto abaixo, então não leia...
Darwin, Rousseau e Nietzsche
Estava entrando no consultório da Dra. psiquiatra, mas antes disso...
Vinha num ônibus maldito de tão quente, infernal, suando e de saco cheio. Ainda tive que descer e andar mais umas quadras. Resolvi cruzar a rua no meio da quadra, onde não havia faixa de pedestres. Espertão. Quando cruzei, fiquei no meio do canteiro da Avenida Vergueiro sem poder atravessar (faz de conta que é essa mesmo porque eu sou perdido) pois havia uma cerca que impedia pedestres de cruzarem fora da faixa, evitando assim, acidentes. Resolvi pular a cerca. Claro que não pulei, não queria passar por cidadão deselegante, malandro que faz feio, sabe, aqueles que jogam lixo no chão? Então, não queria fazer isso. Ainda estava com receio de não conseguir e cair na frente de todos.
Então disfarcei.
Disfarcei por quê? Disfarcei porque imaginava alguém me observando. Isso, havia alguém me olhando. O cara da banca de jornal.
Antes de tentar cruzar, quando eu estava quase na avenida, perguntei a uma pessoa numa banca de jornal, “a rua Sampaio Viana, amigo”, ele disse, “que que tem?”, “o senhor sabe onde fica?”, “sei”, daí eu, entendendo o joguinho dele, falei; “então, o senhor pode falar onde é que fica a rua Sampaio Viana?”, ele me respondeu “claro que posso falar”, “então, onde fica a rua?”, “mediante um ‘bom dia, eu digo’”. Entendida a mensagem, ele me chamou de mal educado. Ok. “Bom dia, o senhor sabe onde fica a rua Sampaio Viana, por favor?”. “Três quadras pra lá você vai ver um semáforo, atravessa pela faixa, e você vai ver uma galeria, cruza por dentro e pronto, já vai sair nessa rua”.
Era esse cara da banca de jornal que me agora observava. Ele analisava cada erro que eu cometia, de não ter dito “bom dia”, de não ter atravessado na faixa. Então eu fingi, no meio da avenida, que estava procurando um número. Um número de residência ali? Mas ele sabia onde eu queria chegar. Será que este disfarce não deu certo? Daria, pois o cara da banca iria pensar que eu não acreditei na explicação dele, que não dei crédito para suas palavras gentis. Eu o atingiria desta forma. Nunca mais o cara da banca de jornal se meteria com alguém do meu tipo, tenho certeza disso. Ou será que ele não entendeu? Será que ele me chamou de idiota quando me viu disfarçando?
Dono da banca balançando a cabeça: idiota! Nossa! Que cara mais imbecil! - tudo em meu pensamento.
Daí eu cruzei rápido antes que ele me olhasse novamente. Quantas vezes ele me olhou? Uma, duas, três? Eu não consegui contar, aliás ele é tão bom nisso de observar que eu nem vi ele me olhando. O cara é especialista. Que perigo, um cara desses solto nas ruas. A polícia deveria pegar esse fascista. Perseguindo os outros assim. É horrível a sensação de ser observado, analisado e julgado, ainda mais à distância, sem poder se defender...
Atravessei a galeria depois de cruzar obrigatoriamente na faixa, para finalmente o outro lado da avenida.
Achei o consultório da Dra. Lagonegro.
Este nome me fez pensar em Guerra nas Estrelas. Lagonegro, Ladonegro.
Deixa pra lá.
Sala de espera quente. Mas infelizmente fui chamado logo. Infelizmente porque eu estava escrevendo tudo o que o calor do maldito ônibus me fez vivenciar e pensar. Acabei não conseguindo concluir naquele papelzinho bonito que a recepcionista havia me dado. Eu até que escrevia com letras legíveis mas foi curto o tempo. Escrevia sobre a tortura do ônibus e a nossa tortura existencial.
Seguinte, essa merda de destino que as pessoas falam, será que quem criou isso foi Darwin ou Rousseau?
Olha só, tem um babaca aí que falou que são suas escolhas que dizem quem você é. Frase utilizada (e adorada) por aqueles caras que fazem entrevista, psicólogos, empresários, sabidões... mas ela é perigosa. Ela esconde um falso ideal.
As escolhas que fazemos estão submetidas ao pensamento, e é este filho do cérebro, que é um órgão do corpo humano, que tem suas características definidas pela carga genética vinda de seus pais.
O ambiente em que você vive é determinado pela sua capacidade de gerar riquezas e cultura. Porque se você se encontra neste nível sócio-cultural é porque seu corpo e sua mente permitem que isso seja possível. Eles te dão capacidade, talvez até a ânsia, para fazê-lo.
O momento é você mesmo quem escolhe. Seu pensamento. Sem querer é você quem acaba se colocando em determinadas situações, são suas capacidades que te fazem estar em certos lugares em certos momentos.
Desse modo você estará sempre dentro dos seus limites e nunca sairá. Jamais conseguirá se superar. Pois se você realizou tal tarefa é porque tinha capacidade para isso. Não há superação, como se uma pessoa que soubesse suas características genéticas e estivesse te assistindo nunca fosse se surpreender com um ato ou conquista sua. Um boneco totalmente previsível. Será então que devemos lutar pra sermos o que já somos?
Para termos o que já é nosso? É como se tudo já tivesse sido escolhido.
Será que na verdade, seus pais definem quem você é e seus avós definiram quem seus pais são?
Bom, o fato é que não quero pensar assim, prefiro achar que sou livre, satisfeito e que vou ter sucesso e ter mais satisfação. E essa felicidade vai gerar sucesso e esse ciclo vicioso será infinito e eu serei um velhinho feliz. Que meus netinhos vão se orgulhar do velhinho e de meus grisalhos cabelos modernos. Um velhinho porreta ou doidão. Quanto sucesso!
É isso e pronto! Essa coisa de destino darwinista ou rousseauniano é um lixo.
Nem sei por que pensei nisso...
AQUI ENTRA OUTRO CONTO.
TALVEZ A DO EXISTENCIALISMO SOBRE A MESA.
“aqui termina a estória do existencialismo sobre a mesa”
Dias depois.
Aquela história de Darwin e Rousseau serviu pra alguma coisa.
Certa vez conheci uma menininha bonita, aspirante romântica a atriz. Cheia de grandes vontades e ideais.
Boca rosada, corpo a altura das aspirações.
Lolita.
E agora a reencontrei num desses testes de teatro, com um auditório cheio de jovens atores e estudantes esperando para a avaliação.
Esta menina disse que não sabia mais se seria atriz ou se partiria pra outra.
Pronto. Prato perfeito. É a deixa que o grande ator estava esperando:
ELA - Ai ai. Não sei se continuo, me decepcionei muito com este mundo... mundo vazio, fútil, pessoas interesseiras que só querem derrubar umas as outras, gente vaidosa que só vê a si mesma. Um dia elas se afogam!
EU - Eu acho que você deve escolher. Só você sabe o que seu coração diz. Boa sorte na vida. Suas escolhas de hoje dirão quem você é no futuro – Nossa, como eu sou hipócrita! Falei mal do cara e estou aqui repetindo seu discurso – em pensamento!
ELA - Ai que lindo! Espero que eu esteja acertando mesmo, dá um medinho, né?
EU - Sempre dá... mas parece que as escolhas que fazemos já estão feitas, antes de escolhermos, você sente isso?
ELA - Eu sinto! Eu acho que a nossa parte de escolha é bem pequenininha perto do caminho que já está traçado! Ai que medo!
EU - Parece mais mágico que isso... parece que já está tudo escrito e não podemos fazer nada, só lutar pra termos o que já é nosso! Louco, não é? – Eu me contradizendo!
ELA - É um jeito legal de encarar, não gosto de pensar que temos 50% de chance de dar errado, prefiro acreditar que algo quer que eu dê certo!
EU - Eu não penso nada, vou lá e faço, só quando paro pra pensar onde estou me levando é que tiro minhas conclusões... alguns desejos devem ser realizados... Talvez a culpa possa nem existir depois, pois certas atitudes devem ser tomadas sem serem pensadas, alguns prazeres só são possíveis se o lado racional não existir. Se entregar às tentações é a melhor maneira de acabar com elas, e você nunca se arrepende – encaminhando a conversa para um lado tendencioso.
Eu continuo - As tentações merecem ser experimentadas!
Percebendo a reflexão dela:
EU - Mais uma coisa, você tem cara e jeito de atriz, sabia? Não por fora, mas atriz por dentro, atriz de verdade, daquelas que fazem teatro e cinema, de personalidade. Que fazem as outras pessoas quererem fazer teatro, inspiradora! – tentando encaminhar para aquele assunto tendencioso.
ELA - Ah obrigada! Isso pra mim é um grande elogio! Eu também acho que por dentro eu sou atriz, mas nunca encontrei um lugar pra isso...
EU – Mas você encontrará... eu sofri muito na época em que era estudante de artes, até perceber que aquelas pessoas vazias são adultos com mente de crianças, pessoas cegas, bobas, inofensivas, que não chegam nem perto de mim... elas vão todas se afogar nas águas de seus reflexos...
ELA - É, eu queria ser igual você...mas não consigo...penso demais o tempo todo...
Risadas.
EU - Eu também penso muito. - Sorriso. - Melhor deixar pra lá...
ELA - Fala. O que você pensa?
Ela ainda sem malícia, pelo menos não como a minha.
EU - Eu penso, não nisso, penso que a vida é uma película bem fina! E tudo está sendo filmado agora!
ELA - Eu sempre vejo pessoas que são adultos com mente de criança! Mas não no sentido Pequeno Príncipe... – voltando ao assunto de cinco falas acima.
Ai que meiga!
EU - Entendo, é nesse mesmo que eu falo, povo totalmente dominado! Então resolvi não deixar nada me atingir... Só mergulhar no que faço... estudar eu já estudo. É só ser verdadeiro que você se torna autêntico, a assim já se destaca dos tolos... Comecei a me jogar em tudo, se eu sentisse vontade eu fazia. Atitudes libertadoras, de quem sabe o que quer! Não dava rédeas aos meus desejos...
Tentando encaminhar o assunto novamente... mas ela...
ELA - Dominado por quem?
Então, numa avalanche sem retomada de fôlego para acabar de vez com esse assunto e ir direto para o “outro”.
EU - Dominado por necessidades, dinheiro, poder, fama, aparecer, destaque, necessidade de aprovação, necessidade de parecerem pessoas felizes, eficientes e satisfeitas, o que na verdade não são... pessoas normais são raras... o normal é ser raro.
ELA – Hahaha! Nossa! Eu sei o que você quer dizer...
Mais avalanche.
EU – As pessoas são insatisfeitas, por isso, infelizes, e na verdade você encontra a felicidade junto com outras coisas, com a paz e com o amor, só assim, não há outra maneira.
Diminui a avalanche e agora é um delicado cair de neve.
EU - A satisfação está juntinha da felicidade e do amor, entende?
ELA – Acho que sim – quase entrando na minha.
Mudando subitamente.
ELA - Ai, muito louco isso!
Eu puto.
EU - O louco é aquele que não se encaixa no nosso modo de pensar e esse nosso pensamento coletivo fomos nós que criamos, não eu e você, mas pessoas que vieram antes de nós que são chamadas de normais. Quem disse que se os loucos tivessem criado um modo coletivo de pensar nós não seríamos os loucos?
ELA – Eu não sou louca!
EU – Eu sou!
ELA – Como assim?
Será que ela tem problema? Ou eu que não percebo algo de errado nisso tudo? Ela deve estar filmando isso, não é possível! Só me falta essa, vai mostrar para as amigas. E agora? Nunca mais consigo uma mulher. Não tem nenhuma câmera aqui. Ali... ali... O que é aquilo? Vulto. Droga, nunca quis usar óculos. Agora fudeu. Não é câmera não. Não pode ser. Pior que é mesmo. Fudeu.
Não, é um saco preto. É um saco! Fudeu. Tenho que dar um jeito de dispensar a lolita. Não vai rolar. Será que as pessoas que têm afinidades conosco é porque tem tendência a ter, ou será que se nos esforçarmos e dissermos o que elas querem ouvir conseguimos conquistá-las? Será que se meus mais são pessoas pacatas ou introspectivas eu nunca vou conseguir ser aquele cara famosão conquistador? Não posso conseguir ser um artista nem com a a exaustiva e excessiva capacidade de repetição? Nem que eu faça especialização nisso? Será que meu cérebro não muda mesmo?
A lolita adorou a conversa mas o celular dela tocou. Era o namorado. Brigaram. Ela me contou depois que ele é 16 anos mais velho. Que ele não gosta de teatro. Que é coisa de viado e de mulher safada. Que se ela fizesse aquele teste, pior ainda, se fosse continuar a levar pra frente “essa coisa de querer ser artista”, ele largaria dela.
Fizemos o teste, um de cada vez. Fui embora e nem sei dela.
AQUI ENTRA OUTRO CONTO.
TALVEZ A DA JANELA DO HOMEM QUE BUSCA O PERFEITO.
“aqui termina a estória do homem que...”
Dois meses depois encontrei a lolita:
EU - Oi, eu nunca mais te vi. Não tem ido mais nos testes?
ELA - Não. Eu descobri que não sirvo pra isso. As pessoas não são boas nesse mundo das artes. Elas querem abusar da gente e nos dominar.
EU - Entendo. – Pensei no namorado dela, será que ele também não quer abusar e pior ainda, já a dominou?
ELA - Estou mais feliz assim, vou ser aeromoça. – e um sorriso apático descoloriu seu rosto, sem me convencer de nada. Já não era mais aquela lolita que me atraiu. Ela quase estampava a marca da arroba na sua carne.
Será que seus genes já previam isso?
E eu ainda me orgulho.
Será quem realmente lida com monstros pode se tornar um?
Será que quem se torna monstro é por que já nasceu com genes propícios a sê-lo?
Humano demasiado humano!
fevereiro de 2007
1/06/2007
Quando se procura pelo divino suspiro e não o encontra, é que vc deve apelar para o braço.
Brainstorm escrito assim, tudo jundo, significa inspiração.
Quando separado, Brain Storm, já remete a outro significado, tempestade de idéias, ou seja, quando um grupo se reúne para discutir e colocar frente a frente idéias vindas de mentes diferentes... mas não é sobre isso que eu discorro.
A imagem abaixo significa inspiração e é por ela que procuramos, quando encontramos apenas o braço. Viva David Lynch, eu sou o braço!
Procure uma imagem, adicione-a a seu micro, clique ali no enviar imagem e siga as instruções, copie o código, cole dentro da ferramenta do blog... complicando...
Vai fazer um link? Fica pra amanhã...
Quer conhecer a Brainstorm production? clique aqui ou na imagem
11/19/2006
11/07/2006
O Retrato de Dorian Gray
Alguns podem dizer que Oscar Wilde foi um Dândi que como tantos outros, só valorizava a juventude e a estética. Outros transferem essa idéia para os seus textos. Chamam as obras de Wilde de superficiais e pretensiosas. Mas ele foi um grande escritor que atingia o brilho da arte em seus paradoxos e seus discursos sedutores. Suas máximas, já dito anteriormente, podem ser colocadas na estante ao lado das de La Rochefoucauld sem o menor receio de desbalanceá-la.
Oscar Wilde atingiu o máximo de sua ousadia e brilho literário quando terminou o seu único romance; O Retrato de Dorian Gray. Esta obra narra a história de Dorian, de sua encantadora beleza jovial, que, retratada em um quadro de Basílio Hallward, teve após grande culto, sua forma física eternizada. A beleza de Dorian jamais acabaria, enquanto o quadro sofria a ação do tempo e das marcas que o pecado deixa no rosto dos perversos. Era essa a vida que Dorian recebeu de Oscar. Dorian Gray abusava de sua estonteante e irremovível beleza, o chocou a aristocrática e hipócrita sociedade inglesa.
Os Dândis eram um número considerável da sociedade londrina, devido ao super enriquecimento de parte da já alta sociedade daquela cidade.
De tão apegado que era às suas descrições estéticas, o protagonista não conseguia saborear o que a vida lhe oferecia. Somente sugava o que lhe agradava os olhos e o ego. Era um vaidoso completo. Perverso e devasso, sabendo de sua condição de estátua grega indestrutível, não impunha limites a sua vida. Esta obra é repleta de temas de grande polêmica para a época, alguns ainda para os dias de hoje. A paixão que aproxima e afasta os homens, divisão entre corpo e alma, aquele como a parte visível e essa como a mais importante, a que contém todos os sentimentos, e que não pode ser vista. Dorian Gray não acreditava que seus atos eram tão cruéis, aliás, tentava não acreditar. Pensava estar fazendo a coisa certa, mas é sempre desmentido quando olha seu retrato enrugado, reflexo do desgaste de sua alma.
Oscar Wilde não pode ser confundido somente com o homem que entrava em locais públicos e bem freqüentados, vestido em trajes extravagantes assumindo atitudes polêmicas, este é o Oscar que desejava chocar. O iconoclasta dividia suas atitudes com o público de duas formas distintas, como ele mesmo dizia; “há duas maneiras de conquistar o público, ou você diz o que ele quer ouvir, ou o escandaliza”.
Proscritos & Polêmicos
frenético e duvidoso.
A revista “Proscritos & Polêmicos” surgiu e agora ousa ser um herói!
Talvez os heróis sejam somente ousados, mas talvez não. O que se sabe é que todos eles começaram assim mesmo.
A revista ambiciona ser um guia para os que não enxergam no escuro. Um guia para o esclarecimento.
A arte escrita universal acontece e o público não conhece o caminho para tocá-la. Aqui será seu ponto de encontro. Uma teia de linhas e entrelaces.
Proscritos & Polêmicos, cuja temática é uma seleção de escritores da literatura universal que, ao destacarem-se, foram perseguidos, banidos e/ou proibidos, é uma revista que vai atrair o interesse do público para o universo das letras, que foi tão, ou mais importante e poderoso quanto à mídia televisiva nos dias de hoje, claramente mais profundo e verdadeiro.
Estranho dizer que foi. Ainda o é. A percepção geral é que condena os verbos ao pretérito perfeito, simples. Tão simples e imperfeito. Ou não. Os artistas podem parecer imorais e tortuosos. Aqui são chamados de amorais e voadores. Mas essa é uma opinião. Qual é a mania de se ver saídas mesmo dentro de labirintos? Realmente eles tinham suas manias e excessos. Mas a essência que os perfuma não é de todo nem por todos sentida.
A polêmica e a expulsão de cada edição será dedicada a um artista diferente, não tendo ordem cronológica dos autores nas publicações (aparecendo Oscar Wilde antes de Friedrich Nietzsche, por exemplo), evitando assim, o cansaço e a espera por escritores da preferência de determinados leitores, ao mesmo tempo em que é criada uma expectativa no mesmo.
A relação da literatura com o mundo prático é imensa; ideologias, costumes cinema, marketing e muito do que é visto diariamente foi idealizado e colocado em prática dentro da história da literatura.
Este produto foi projetado e elaborado na busca de despertar o leitor que não sabe como correr, ou começar a caminhar, no mundo das letras.
Espera-se voar agora! Voar como os que aqui serão citados (entenda reverenciados), fizeram.
As asas já foram dadas.

10/03/2006
Cultura Livre – SESC
Na continuação da Temporada SESC de Artes, Cultura Livre (25/09 a 05/10) aconteceu a oficina “Web Art e Compartilhamento de Imagens”, nos dias 02 e 03 de outubro.
Coordenada por Glauco Paiva (do grupo Coletivo Metareciclagem), a oficina ampliou noções de arte, mostrando alguns movimentos artísticos, uns voltados para a imagem, outros que são uma mescla de tecnologia eletrônica e corpo humano (Stelarc).
Amarrados a essa idéia de Creative Commons , que é uma ferramenta de promoção do acesso à cultura, à informação e para a democratização das mídias, os coordenadores deste evento vêm abrindo caminhos (mesmo em brevíssimo tempo) para mostrar o surgimento, ou a possibilidade, de uma nova perspectiva da relação consumidor/produtor.
Se a arte é uma manifestação humana dentro de um contexto histórico e social, o artista deverá estar sempre atualizado, observando e sentindo (talvez compreendendo) as transformações para poder utilizar-se delas, negá-las ou destruí-las.
Por Alex Wildiner
9/15/2006
Nada melhor do que o corpo para curar a alma e a alma para curar o corpo...
No último instante da agonia lembrei-me de Oscar Wilde... quando Dorian mergulha sua face branca dentro de uma lótus azul (lótus?), alisando assim a aspereza da sua alma...
Será a sociedade da ansiedade?
Ainda resta corpo para curar a alma? Ou a alma em lama não consegue salvar o corpo já ensopado de tudo o que não sabemos, de comida transformada, de palavras vistas, ouvidas, assimiladas, do labirinto rápido de paredes móveis e reflexivas?
A escravidão opaca aos olhos. A escravidão envolta na alma.
Recorro ao meu irmão que faz questão de me lembrar da estátua pixada lá da Universidade, que sempre grita frases do louco filósofo prussiano: A Arte Existe para que a Verdade não nos Destrua!
Salve o Teatro Mágico!
9/13/2006
5/31/2006
- Choro por pouco.
Eu disse isso a quem havia me perguntado.
Choro é só choro. A lágrima é um líquido salgado.
Só isso.
Mas eu estou agarrado ao meu livro. A minha eterna companhia que eu sempre acreditei estar ao meu lado. Meu livro. Que me colocou entre os homens e que me faz erguer o rosto e olhar o mundo, ora com ar de enfrentamento, ora com ar cordial, como se dissesse: que boa companhia a sua!
Não vou parar de escrever para chorar... No meu visível transtorno, engulo minhas lágrimas com minha boca salivante porque quero toma-las por inteiro e alimentar minha alma... se o rolar de minha lágrima esvai o meu sofrimento, eu a engulo para explodir e poder ressuscitar.
Eu ouvia os passos dela do outro lado da linha. Passos altos para uma pessoa tão delicada. Passos firmes para uma garota que chora. Passos decididos. Não queria destruir um sonho, mas o valor da verdade é muito maior do que a efemeridade da ilusão. Ela me falou da surpresa ao ver as lágrimas dos outros. Lágrimas caídas por sua ausência. Lágrimas entre abraços, ela iria deixa-los. Eu acabei com o sonho dela por dizer toda a verdade.
- Esse sentimento todo do “grupo” por você é falso. Eles jogam seus próprios erros uns nos outros, já jogaram em você! Há uma hora, eu escutei da boca daquele que te abraçou chorando, que não quer “ouvir mais esse papo de humildade, que ator é vaidoso...”.
Continuei...
- Você vai sair por não ter a estrutura financeira que ele tem. O abraço dele foi um ato hipócrita que eu não suportei ver. Ele acredita ser o melhor dali, não sente a sua falta nem vai sentir, pois só pensa em si e repugna a humildade, que é o que você tem aí escorrendo dos seus olhos... ele confirmou todas as palavras da conselheira sobre a necessidade de generosidade no grupo, mas antes de ser generoso, o homem deve ser humilde, virtude que ele abomina! Paradoxo ou hipocrisia?
O leve choro dela deu espaço a um silencio, para depois iniciar um soluçar. Eu disse que as pessoas que a amavam estavam ali, ao seu lado. Para não se emocionar com o falso. A família dela é o que ela tem de verdadeiro. É isso. O sonho acabou, mas deu espaço para uma possível construção real. Ao reconhecer a futilidade, muita coisa perde o sentido, muitos filmes, livros, pessoas, muito se esvai de valor. Mas isso é recompensado quando algo de precioso é visto, e o raro só pode ser reconhecido por aquele que também reconhece o fútil.
Eu disse a verdade. Eu a salvei com a verdade.
O fundo do poço é onde estou e é de onde eu saio. O caminho é longo. Mas antes um longo caminho do que não ter lugar nenhum a percorrer.
O renascimento é constante.
Quem vai entender isso?
Cometi um erro.
Meu livro que me trouxe até aqui. Mas antes dele, havia e ainda há outra coisa.
Há pessoas.
Pessoas que entregaram ele a mim, ou melhor, que me entregaram ao livro... De quem muitas vezes eu estive, e ainda estou, distante, mas que nunca se distanciou de mim. Que me pegou com as duas mãos desde criança e que eu nunca fui grato!
Minha ingratidão é um monstro que devora voraz e impiedosamente.
Sinto que estou sendo polido nas palavras, pois minhas lágrimas diminuem seu ritmo.
- Cala a boca, que não errei a gramática!
Eu não posso mais ficar de costas! Não sei para onde ficar de costas! Já não sei onde estou nem para onde vou, pois nunca estive em lugar nenhum. Soluço de olhos fechados ainda escrevendo.
- Não sofra por pouco... alguns homens são só meninos tão frágeis que necessitam de atenção. Corações pobres. Mentes retraídas. Tropeçam nas próprias pernas e nem percebem. Culpam alguém.
Não ouço a minha voz porque o que é superficial tomou conta de mim e eu já estou cego e me culpo. Não sei mais o que dizer!
Só me culpo!
O livro me foi entregue, e o que eu entrego de volta àqueles que o me deram?
Eu estou morrendo por dentro sem saber o que fazer. Acabo de ser interrompido, não quero ajuda de ninguém!
Não quero idéia nenhuma entrando em meu pensamento. Não mais vou ficar calado. Ainda penso antes de agir, mas a verdade deve ser dita. A justiça deve ser feita. Clichês verdadeiros. Quem critica o clichê sabe criar alguma coisa?
Hoje eu vou dormir.
Odeio ser interrompido, acho interrupção egoísta!
- Não me exclua de seu sofrimento!
- O sofrimento é meu!
...
- O que eu disse foi covarde, mas foi o que senti. Por favor, me perdoe, pois eu te amo.
Não penso mais nada.
A euforia passou. Sobraram meus pedaços e eu nem sei onde eles estão nem o que fazer, se por acaso eu os encontrar. Mas não estou, nem me importo.
Vou fazer o que é verdadeiro. Voltar e acolher o que me acolhe. Fazer o que eu falei para fazerem, ao invés de ficar falando. Estar ao lado de quem está ao meu há anos.
Segurar as mãos daqueles que me seguraram quando eu nem sabia andar. Daquela menina que me falou uma certa vez quando eu sentia uma das maiores tristezas. A primeira tristeza. Ela me falou que estaria sempre comigo. Que não sabia usar as palavras como eu, mas que mesmo assim iria usá-las... humildade poderosa. Só nessa ela já me colocou no chão. Ainda tenho o bilhete guardado, mas nunca mais o abri. Acho que eu morreria se lesse aquilo agora. De uma forma ou de outra ela sabe disso, e se não souber, talvez nem precise, pois o que ela sente é incondicional.
Abraçar o menino tímido que me ajuda sempre... sempre... Aquele que foi ficando pequeno enquanto eu crescia, mas que é imenso. O menino tímido de caráter de herói. Acreditar também naquele super homem que agora sofre de um mal criado por ele mesmo. Meu pai, o que eu faço pra te ajudar? E aquela menininha que me deu a vida. Como eu posso te pegar no colo?
Ah! Se todos vocês soubessem...
Mas eu não sei como. De tudo que aprendi, não sei...
De toda minha inteligência elogiada, não sei...
Só sei que choro.... mas o choro é só choro.
Uma lágrima é só um liquido de sal.
E quem eu abraço, é apenas um pedaço de papel...
Alex é um menino em pedaços
Mas quem aqui não está em pedaços?
Quem não estiver,
é porque é pequeno demais para ser dividido...
Talvez ele não queira se juntar agora.
Ele chora, mas você nem sabe o porquê.
24/25 de maio de 2006
5/16/2006
Quinta-feira, 11 de maio, aniversário da Lulu! Minha namorada estava louca não sei porquê. Mas aí teve a festa com “bolo do ‘seu’ Osvaldo” (é Osvaldo mesmo?), os presentes, os amigos e ela se tornou um docinho. Acho que ficou longe de mim tempo demais!
Sábado fomos comemorar novamente o seu aniversário num bar/balada e foi muito bom. Pessoal reunido. Aquela sensação tranqüila, as pessoas que você gosta ali do lado, todo mundo em paz, uns beijando, outros não.Tudo do jeito que deve ser.
Domingão sem Faustão! Fomos ver a peça Lázaro, baseada na obra de Dostoievski, formatura dos estudantes de teatro do Célia Helena. Peça em 2 atos. Saímos no intervalo entre eles! Eu me senti antiarte naquela hora! Mas esta sensação foi efêmera. Um segundo! Pois fui tomado por um anti-sono necessário para o momento; eu estava dormindo na platéia. A peça deve ser boa, eu é que não sou um expectador de qualidade.
Sem saber o que fazer, fomos procurar o Rei!
- Será que na Paulista tem Rei do Mate?
- Vixi! Pra que lado devemos entrar?
- Acho que pra esquerda!
- Eu acho que não...
Vuumm!!!
Esquerda!
- Gasolina!
- Deixa que eu pago!
- Então eu pago o chá!
- Tudo bem...
De volta à Paulista!
Deslizando dentro do carro bem devagarzinho, fomos eu e a Super-Lu pela Avenida Paulista.
Nada do Rei.
- Vamos comer a Pizza no Pedaço da Pizza?
- Vamos...
- Cadê o pedaço da Pizza?
- No número 1463, eu lembro!
Estacionamos.
Do lado do Pedaço, vimos o Espaço Unibanco de Cinema. Entramos. Quase assistimos Árido Movie.
Quase.
Saímos.
Em frente ao cinema:
- Olha ali Leco! O Sabor do Mate!
- Será que é igual ao Rei?
- Sei lá, nunca experimentei Rei nenhum!
- Ah! Será que chá do Sabor do Mate é igual ao sabor do chá do Rei do Mate?
Nossssssssssssa!
Mate Suíço: Duas colheres de sopa de leite em pó. Duas colheres de sopa de ovomaltine. 300ml de chá tradicional. E acho que só!
Nossa! Muito bom!
“! Z%¬²²o*£2 !” - xingamento
Coxinha natureba murcha!
- Ainda cabe alguma coisa aí?
- Cabe um Pedaço de Pizza.
Olha só! Nós dois ali naquele beco aconchegante. Lugar rústico e gostoso. Meio gay, mas eu não me constranjo. Sentamos numa mesa e contamos logo de cara com a simpatia dos acolhedores, melhor, das acolhedoras freqüentadoras lésbicas do local, que se sentaram na mesma mesa da minha namorada bem na minha ausência!
O preconceito está na cabeça delas. Nem “oi”. Nem “com licença”. Somente um autoconvincente “eu vou sentar aqui, não estou atrapalhando”. E não estavam mesmo. Mas educação nunca doeu em ninguém! Ali tudo era bem vindo!
Lugarzinho com cara de exterior. Pessoas diferentes, num lugar diferente do que eu estou acostumado. Eu, na verdade, não estou acostumado com nada, não sou freqüentador de um lugar de um tipo, específico, sou um pouco errante. Nômade. Ou não.
Lugar com cara de exterior. Afinal, para um menino do interior, o que será um lugar com cara de exterior?
Mas o lugar era delicioso.
Pizza de três cogumelos.
Falei pra minha namorada que eu acho que tinha muito mais do que três cogumelos. Ela me explicou que realmente tinha mais do que três cogumelos, mas que a pizza tinha esse nome porque tinha três tipos, e não três cogumelos ao todo, fatiados sobre a pizza.
- Ãããhhh!
Fui perdoado!
OPS importante: a pizza tinha muita rúcula sobre!
Bom também!
Segunda-feira sem Cavaleiros do Zodíaco! Mas isto eu conto depois... Fiquem com a pizza de cogumelos!
4/27/2006
As vezes eu sinto que fico somente sendo jogado pra lá e pra cá, no meio das ondas... sem poder fazer muita coisa, só me manter emerso.
Mas é nesse jogo que eu estou redescobrindo uma pessoa que eu venho amando há um tempo...
Que o balanço das ondas faça muita espuma!
Tim tim!
6/03/2003
Essa foi a nossa semana na Yellow Tower,
contada pelo nosso amigo morador e ator, Beto Davis
Segunda-feira
dia de branco na Cidade sem Limites. Ainda estou anestesiado por ter dormido tanto no final de semana......e meio desapontado por saber q nada vai superar minha última semana em Bauru.Uma vez eu vi uma entrevista com o Stallone em q ele contava como foi dia da pré-estréia do primeiro Rocky. Ele estava nervoso, afinal ele era um ator desconhecido e nesse filme ele era o roteirista e o protagonista. Bom, após o filme ele disse q houve um silêncio e todos se dirigiram ao hall da sala de exibição. Ele estava em outra sala e já estava conformado com a idéia de todos terem odiado o filme. Quando ele estava descendo as escadas para o hall, disse q todos se viraram para ele e bateram palmas por alguns minutos.Naquele momento ele sabia q a vida dele tinha atingido o ponto máximo, e nada q ele fizesse a partir dali seria tão gratificante e emocionante quanto aquele instante na escada em q todos o aplaudiam. Bom, essa minha última semana em Bauru foi o "momento da escada" e vou explicar pra vcs porquê.Antes de começar, quero deixar explicado q essa foi a Semana da Engenharia na faculdade, e nós, futuros engenheiros, não tivemos aulas, apenas palestras. A maioria era a tarde, portanto não nos obrigava a dormir cedo. Vou omití-las no meu relato, já q não são tão interessantes quanto os eventos q se seguem.
::: Segunda-feira :::
O q é melhor q uma segunda-feira sem aulas? Uma segunda-feira sem aulas e com rodízio de pizza!!!Sim, segunda foi dia de Joílson's e algumas dezenas de fatias de pizza fizeram a semana começar com o pé direito.
::: Terça-feira :::
O q é melhor q uma terça-feira sem aulas?? Uma terça-feira sem aulas e com esconde-esconde!!!!Essa foi a primeira vez q a Yellow Tower (nossa Rep) foi palco dessa brincadeira, e foi demais. O pics eram alguns colchões na sala, portanto da hora de se bater a pessoa tinha q se jogar neles. Rolou de tudo, o Alex se jogou da sacada, eu pulei na piscina do telhado do sobrado, enfim, todos fomos dormir machucados e felizes! =)
::: Quarta-feira :::
O q é melhor q uma quarta-feira sem aulas??? Uma quarta-feira sem aulas e com garotas!!!!! Esse dia não seria nada sem nosso amigo Baby. Baby, nós amamos vc!!! O dia não prometia muito, estávamos aqui em casa assistindo alguns filmes (Senhor dos Anéis e Studio 54) quando o telefone tocou. Era o Baby. Ele disse q uma amiga dele tinha se mudado e tava rolando a inauguração do apê novo, e ele não queria ir sozinho. Então eu, Titcho, Rodrigo e Alex fomos acompanhar o garoto (o Pena, o outro integrante da Yellow Tower, estava viajando.... hahaha!!! Perdeu!!!).Passamos no mercado para comprar torradas (a anfitriã tinha pedido) e chegamos na festa. Tive q me beliscar quando entrei no lugar...haviam umas 20 garotas...e nenhum homem!!!! Pensei q estava no céu, não dava pra acreditar...A festa estava boa, mas nós queríamos levá-las pra YT (Yellow Tower). Como percebemos q passava das dez, fomos até a portaria reclamar do barulho... )) O porteiro foi até o apê reclamar do barulho e as garotas ficaram todas tristonhas... oh dó.... Nós tínhamos q fazer alguma coisa, então sugerimos q todas fossem pra nossa Rep. Elas voltaram a sorrir e todos fomos pra lá!Chegando lá o videokê animou a festa e o q aconteceu lá dentro... bom, só as paredes amarelas da YT sabem...
::: Quinta-feira :::
O q é melhor q uma quinta-feira sem aulas? Uma quarta-feira sem aulas e com garotas!!!!! É, a quarta-feira foi o top da semana... mas não é por isso q os outros dias foram ruins. Na quinta-feira nós pudemos comentar a quarta! E no fim da noite ainda rolou um lanche na Lucy, uma lanchonete bem legal daqui de Bauru.Na volta da lanchonete paramos do lado de algumas garotas no farol e as levamos lá pra casa. Apresentamos a YT pra elas mas dava pra perceber q nenhum de nós estava muito animado... Afinal, o q eram 7 garotas perto de 20? Dispensamos elas e fomos dormir com a moral lá encima. =)
PS Importantissimo: o Beto que contou essa historia é o mais moderado da casa!!!!
