4/28/2007

Pensamento dos vinte anos...

Gênero Poesia
há tempos passados... enquanto um rio corre pelo vale!



Soneto Sobre Rosas
Dou-te beleza que não dura um dia
Vinho que em instantes evapora!
Se, de coração, meu intento é alegria,
Por que murcha pela vida ida embora?

Pra que flores se a cor não dura?
Por que tão bela se em breve enruguece?
Frescor: calor que a vida procura
Contínuo tempo, a seiva lhe esvaece...

Vejo em rosas meu amor parecido
De rubra cor em sentimento tornado
Pudera a Rosa ao Amor ter-se juntado?

Dou-te meu presente imortalizado!
Nunca as horas o terão consumido:
- O Amor fica após a flor ter-se ido!
Alex Wild 08/05/2001

3/30/2007

Desde sempre... pois o quando eu já perdi!

Gênero Poesia
escrita em 1997, quando morri criança


O Adeus Do Príncipe Dos Imortais !


Talvez a morte seja a única solução
Para um poeta vampiro
Que jaz sem vida.
Aproxima-se a Grande Porta
Da grande hora ,
do grande lugar
Onde a Divina Majestade
não poderá me aceitar !

Não há castigos...
Não há quem machucou...
As soluções são doces
Já que “o mal é um ponto-de-vista !''

Vou embora para muito distante,
onde as muralhas não me prendem,
onde as correntes são quebráveis
onde o Amor exista e seja Eterno !

Veloz Voraz Violentamente Voa Vida
Enfincando em meu peito, infinita estaca.
É tonteante, fulminante. É o golpe final !
Arrasto-me por sombras maquiavélicas
Caminho há milhares de anos,
Sem conseguir o presente
de uma alma errante
Que pela morte,
aspirante !

Precipito-me fantástico pela porta,
ao som de vozes discordantes.
Ficaria feliz se a cruzasse
Mas, impossível !

E o castigo, agora,
É juntar-me a uma imensa multidão
Que, ansiosamente, gargalha
Mas que nunca conseguirá sorrir...

Que angustiada sobrevive
Mas que nunca conhecerá o Viver...



AlexWild 10/10/97

3/21/2007

Para o bem e para o mal

Para evitar aqueles recadinhos pejorativos que em nada vêm a acrescentar, aqui vai:

Olhem as datas do que está escrito... as datas ditam, aliás, gritam os fatos, os momentos...

21/03/2007

3/20/2007

Caco de Vidro

Gênero Prosa Poética Poetizada


Hoje eu tirei o teclado para escrever sobre o amor, o velho, o surrado, e enjoado amor!

Todo natal eu me sinto triste como você. Mais abandonado talvez! E nesse não foi diferente! Mas os motivos foram.
Foram e se foram!
Foram como os heróis, como o John se foi, como a Teresa foi embora e até hoje não voltou; seu marido a espera desconsolado.
“Desconsolado”.
Será que foi nisso que pensei quando comecei a qualificar o amor logo na primeira linha? Desconsolado por quê?
Ego mal massageado? Será que com cara de bobo me perguntava, “cadê todos que me amavam?”


Bom, por falar em amor novamente, que ironia, ele se alto desvirtua. Foge de si mesmo, dificulta explicações simples, ou meras tentativas.
Aqui vai:
- Quero aquele sorriso de madrepérola constante e natural, ao meu lado, dentro de mim! Quero o cheiro das rosas das suas róseas maçãs que... que... OK, forget! Deixa eu mudar tudo! Sair desse ultra-romantismo e cair diretamente dentro do “carpe diem” do arcadismo luso brasileiro!

Venha comigo fugir
Não perca mais nenhum instante
Não permita a juventude...
Que te olhe distante,
que desfaça a pétala antes de abrir

Venha minha bela, venha minha estrela!
Venha ver a lua que solitária me acaricia,
Por detrás do vidro da minha janela!

- So, why don`t you slide into my room?!
- (Então desliza logo aqui para dentro do meu quarto!)


Vamos Evoluir na máquina do tempo deste papel!
Passado distante, como se diz em algum lugar do meu texto: os árcades já se FORAM!
Vamos nessa.

Modernismo:

Apresentando a peça:
O amor por detrás de um caco de vidro!

- Ou será o amor, um caco de vidro?!


Alex Wild
Indo Nessa
Dezembro 2002

3/09/2007

Do discurso da arte à ideologia do digestivo

Gênero Carta

Ainda tenho nas mãos a edição N° 02 da Revista “Entre Livros”, com uma imagem de Joyce segurando Ulisses. E desde o momento que a vi, senti que encontrei algo que procurava.

Numa época de consumo e culto à forma física, de avalanche de informações que sobrecarrega nosso discernimento, como a que vivemos hoje, é diminuta a proporção de atenção dada a qualquer tipo de arte. Ainda pior do que isto, outro fato está avesso; é chamada de arte toda e qualquer manifestação escultural, cênica, musical, e escrita que seja divulgada pelos veículos de comunicação, o que transtorna e distancia ainda mais as verdadeiras formas de arte, pois alienam sempre mais, e em muitos casos irreversivelmente, a população, impedindo-a de conhecer e ainda mais de produzir, o que ela é induzida a negar; a criação.

Na fase em que os jovens estão estudando no ensino fundamental e médio, quando eles poderiam/deveriam começar a desenvolver suas personalidades e gostos com mais ímpeto, eles são persuadidos a fazer e a saborear o que possui o gosto mais óbvio e a sensação mais imediata, sem que seja preciso pensar. A literatura é empurrada e entregue a eles como se fosse uma ferramenta para poderem conseguir uma vaga nas universidades, e somente isso. No entanto a brevidade da função do estudo dessa área é falsa.

São dadas como acontecimento literário mundial as escolas literárias brasileiras e portuguesas. Mas a maioria das inovações da arte (escrita inclusive) surgiu em outros países da Europa, não somente em Portugal, das outras Américas e da Ásia. Pouco é ensinado sobre o renascimento italiano e francês, que foram fortíssimos, tomando como exemplo o episódio da capela italiana Cistina, que foi repintada para esconder o nu da obra de Michelangelo, do simbolismo profundo de Baudelaire e de outros franceses, do ultra-romantismo alemão de Goethe e até da literatura filosófica de Voltaire, que é citado na disciplina “história” no período pré-revolução francesa, mas que nada se fala de seus escritos. É suprimido dos livros didáticos o espírito modernista e inovador francês que se projetou na arquitetura (Art nouveau), na pintura expressionista e numa fortíssima forma de arte, representada pelos cartazes publicitários que anunciavam revistas e peças de teatro, antecipando o “pub” das publicações de hoje.

A literatura é apresentada ao adolescente, que é o homem em sua fase mais eufórica, como uma chatice estática, levando-o a questionar os motivos de se estudar essa arte, pejorativa e indevidamente chamada de disciplina, fazendo-o crer, às vezes, estudar uma complicação mórbida e inútil.

A revista é um rumo a quem queira se aprofundar mais na literatura, um estímulo a quem queira conhecê-la e um incentivo a quem não acha vida nesta velha e profunda amiga.

É lindo ver colocada a literatura universal ao alcance de mais camadas da sociedade, através da visão panorâmica literária e da direção da leitura que dará rumos a quem queira começar ou continuar nesse universo.

Os artistas defendem a arte como a si mesmos. Já no âmbito da importância da literatura, o seu objetivo não é só entreter e fazer com que os seres humanos passem momentos agradáveis, perdidos na irrealidade, eximidos do inferno doméstico ou da ansiedade econômica, em espontânea indolência intelectual, as ficções da literatura não podem competir com as oferecidas pelas telas de cinema ou tevê. As conexões edificadas com a palavra exigem a participação ativa do leitor, um esforço mental, de sua imaginação e, às vezes, quando se trata da literatura moderna, exigem dificultosas operações de memória, associações e recriações, algo de que as imagens do cinema e da tevê prescindem os espectadores. E, por isso, os espectadores se tornam cada vez mais preguiçosos, mais alérgicos a qualquer que necessite de esforço do intelecto.

Em depoimento magnífico, o peruano Mário Vargas Llosa insiste no valor da literatura em comparação com outras atividades: "As ficções apresentadas nas telas são intensas por seu imediatismo e efêmeras por seus resultados. Prendem-nos e nos liberam quase de imediato. Das ficções literárias, nos tornamos prisioneiros da vida toda, porque o resultado de uma boa literatura é sempre posterior à leitura - um efeito deflagrado na memória e no tempo.".

O interessante é valorizar a arte, mas conhecê-la primeiramente, a torna ainda mais atraente.

Aqui no Brasil, até o início da década de 60, a leitura de obras literárias era considerada uma obrigação regular por parte de docentes e discentes, não havendo quem questionasse o sentido do ato de ler. O que deve ser lembrado, é que no Brasil, o livro exercia desde o século XIX diferentes funções, claro que para os grupos sociais privilegiados: era o lazer perfeito; era uma insubstituível fonte de conhecimento humano; era o reflexo do país, na qual a minúscula elite cultural se enxergava; era o modelo superior de correção das formas e elegância do idioma pátrio.

Nesta mesma década, houve uma grande universalização e democratização do ensino, que permitiu o acesso de outras classes ao saber, e não comente das privilegiadas. Estes novos personagens sociais, no entanto, vinham de um mundo sem livros e com fracas referências culturais. E antes que a tradição da leitura se enraizasse às suas existências, foram chamados para a poderosa indústria cultural que se implementava na mesma época. Tal indústria, focada na tevê e na música dos discos, conquistou imediatamente notáveis parcelas da população “recém-alfabetizada”. As necessidades de entretenimento e informações, foram recheadas por estes meios audiovisuais. E a leitura foi derrotada na batalha da audiência, transformando-se em espécie de atividade refinada de pequena parte cultural e saudosista da população.

Até as elites, acabaram deixando em partes o seu antigo parceiro, que lhes oferecia um céu de imagens e de visões universais, comercializando-o por uma sub-arte mastigada e facilitada, produzida pelos meios de comunicação de massa.

Para se desafogar, a literatura tornou-se dietética. Sem responsabilidades, roteirizada, e imbecil.


Desculpe pelo desabafo, acho que tudo o que disse vocês já sabiam, mas o que pretendia era elogiá-los e parabenizá-los, pois como eu disse no começo desta carta, com sua revista eu encontrei o que procurava, já que meu trabalho de conclusão de curso do passado foi uma revista chamada “Proscritos & Polêmicos”, sobre a arte maldita, tendo Oscar Wilde como escritor da edição número 0.


Grato pelo trabalho

3/08/2007

Lá do fundo da gaveta vêm as teias, mas já sem as aranhas...

Gênero Poesia
Pedra dos Tempos

Tempo!
Nessa chuva de desafetos,
Dissolvem-se belezas,
as vãs alegrias
pois o belo por essência
é em pedra esculpido
não em barro moldado!

“A essência perfuma a flor
pois as aparências
se perdem
com a chuva
do tempo...”

Numa noite sem medos
Joguei uma pedra na vidraça...
Quebrei meu reflexo!
E ainda refletia...
Mil de mim
em mil partes dela
(mostrei quem era mais duro...)
Intacto,
Eu mudei o mundo!


Alex Wild
26/10/2001

3/06/2007

O Deus e a Ninfa

Gênero Conto

Disse o deus em depoimento a si mesmo ao observar o passar do tempo:
- Agora mesmo escureci o dia lá fora.
Fechei os céus. Entristeci as nuvens. Mesmo o mirmidão mais valente e impetuoso hesitaria em sair por alguma porta.
- O fato de ser um deus me garante o direito de ser vingativo. Não estou conseguindo sê-lo. O que eu admiro nos homens é sua capacidade de regeneração. De mudar as coisas. Mudar suas idéias. Eles também se vingam, como nós mesmos fazemos. Neste sentido eu sou menos que um massificado humano. Não consigo me vingar.

Quanto a sofrer:
- O sofrimento lhes foi dado como presente constante e eles se apaixonam sempre, alguns deles nem isso conseguem. O deus do caminho do meio se enxerga sem discípulos nesses últimos milhares de anos.

Observando a mudança dos ventos:
- A noite vem chegando com inexorável força diária. Um golpe dado com muita força pode ser fatal contra quem ele é desferido. Mas como toda grande onda ou fria avalanche, pode também ser manipulado. Nós manipulamos. Os homens também manipulam. E ambos são enganados. A noite vem construindo a solidão dos angustiados. A noite é uma avalanche. Vou terminar este dia com uma escuridão vazia. Assim amanhã será completamente o amanhã. E lá poderei inventar novos caminhos, fechando velhas entradas e abrindo novas saídas.

Quanto à ousadia:
- Os deuses também são importunados. Ousada ninfa quem impede a minha construção da agonia. Eu devo ter sido enfeitiçado. Provoco grandes trovoadas para distrair minha atenção. Esse objetivo, que é a causa do escurecer dos dias, é parte de uma jogada apenas. Essa sutil e tão óbvia cartada é também irresistível. Ela me direciona seus lábios e profere palavras com suavidade, mas que é ouvida mais longe que os trovões. Esse é o tom do encantamento. Esse fascínio a que nem mesmo os deuses ou anjos estão protegidos, é grande causa de sofrimentos.

O escurecer do dia:
- Estou dando forças para o carrasco, mas quem pode enforcar um deus? Aquilo que protegi descaradamente, que me fez ser julgado por outros deuses e homens por proteger, irracionalmente e imparcialmente, uma ninfa, está a infantilizar meus relâmpagos, a sutilizar meus trovões. Quando abandonarei esta ninfa-estaca que se enfia no meu coração? Quanto mais eu a agarro, mais a prendo em mim, infinitamente ela me corrói, até escurecer minha visão.

Voz narrando:
Neste mesmo instante, escuta-se um ranger de portas. Passos se direcionam para o ambiente desse deus apático. É a ninfa a quem ele tanto buscou e protegeu. Ela não é tão alta. Não é tão séria. Não é tão rósea. Ela olhou o deus de frente, entregou-se a ele, o criador das tempestades. Ele com seus olhos divididos entre chuvas e lágrimas, seus lábios entre o beijo e o espanto, se enxergou como um homem, e como tal se jogou nos braços da ninfa.
Lá fora começou a se ouvir o cantar dos pássaros. O abrir das flores. A brisa quente entrava pelas frestas de todas as casas e nenhum sábio soube explicar o nascer do dia durante a escuridão da noite. Talvez fosse uma resposta ao escurecer da noite sobre a luz do dia... Os mirmidões souberam transformar a fraqueza da luz em força da sombra, entraram no castelo de seu inimigo, pela porta da frente. O dia veio intenso em seu calor devido à longa espera pelo fim das horas nebulosas.
Então ao alto das nuvens, agora claras como pétalas de lótus que saem sempre cândidas da lama, se reuniram, já cansados de suas próprias existências, outros deuses e criaturas divinas. Todos condenavam o que estavam assistindo. O mais moralista e católico dos homens não teria percebido que todos ali eram divindades, e teria se esquecido que estava acima das nuvens, de tão grande hipocrisia que o ambiente exalava.
Caído em cima de milhões de gotículas de água e vapores, que vistas de longe são parecidas com as nuvens, estava aquele deus entristecido, agarrado ao seu objeto de valor; uma grande rosa repleta de espinhos, e o maior e mais venenoso deles, enfincado em seu peito desprotegido, ambos sem vida; o deus e a rosa.

Alex Wild
Escrito em 2004
Amaral Gurgel - centro de São Paulo.

3/01/2007

Se você está com pressa e não consegue ler o conto abaixo, então não leia...

Mas saiba que as coisas você corre atrás acabam correndo atrás de você, e muito cuidado, elas podem te alcançar...

Darwin, Rousseau e Nietzsche

Gênero conto


Estava entrando no consultório da Dra. psiquiatra, mas antes disso...
Vinha num ônibus maldito de tão quente, infernal, suando e de saco cheio. Ainda tive que descer e andar mais umas quadras. Resolvi cruzar a rua no meio da quadra, onde não havia faixa de pedestres. Espertão. Quando cruzei, fiquei no meio do canteiro da Avenida Vergueiro sem poder atravessar (faz de conta que é essa mesmo porque eu sou perdido) pois havia uma cerca que impedia pedestres de cruzarem fora da faixa, evitando assim, acidentes. Resolvi pular a cerca. Claro que não pulei, não queria passar por cidadão deselegante, malandro que faz feio, sabe, aqueles que jogam lixo no chão? Então, não queria fazer isso. Ainda estava com receio de não conseguir e cair na frente de todos.

Então disfarcei.

Disfarcei por quê? Disfarcei porque imaginava alguém me observando. Isso, havia alguém me olhando. O cara da banca de jornal.

Antes de tentar cruzar, quando eu estava quase na avenida, perguntei a uma pessoa numa banca de jornal, “a rua Sampaio Viana, amigo”, ele disse, “que que tem?”, “o senhor sabe onde fica?”, “sei”, daí eu, entendendo o joguinho dele, falei; “então, o senhor pode falar onde é que fica a rua Sampaio Viana?”, ele me respondeu “claro que posso falar”, “então, onde fica a rua?”, “mediante um ‘bom dia, eu digo’”. Entendida a mensagem, ele me chamou de mal educado. Ok. “Bom dia, o senhor sabe onde fica a rua Sampaio Viana, por favor?”. “Três quadras pra lá você vai ver um semáforo, atravessa pela faixa, e você vai ver uma galeria, cruza por dentro e pronto, já vai sair nessa rua”.

Era esse cara da banca de jornal que me agora observava. Ele analisava cada erro que eu cometia, de não ter dito “bom dia”, de não ter atravessado na faixa. Então eu fingi, no meio da avenida, que estava procurando um número. Um número de residência ali? Mas ele sabia onde eu queria chegar. Será que este disfarce não deu certo? Daria, pois o cara da banca iria pensar que eu não acreditei na explicação dele, que não dei crédito para suas palavras gentis. Eu o atingiria desta forma. Nunca mais o cara da banca de jornal se meteria com alguém do meu tipo, tenho certeza disso. Ou será que ele não entendeu? Será que ele me chamou de idiota quando me viu disfarçando?

Dono da banca balançando a cabeça: idiota! Nossa! Que cara mais imbecil! - tudo em meu pensamento.

Daí eu cruzei rápido antes que ele me olhasse novamente. Quantas vezes ele me olhou? Uma, duas, três? Eu não consegui contar, aliás ele é tão bom nisso de observar que eu nem vi ele me olhando. O cara é especialista. Que perigo, um cara desses solto nas ruas. A polícia deveria pegar esse fascista. Perseguindo os outros assim. É horrível a sensação de ser observado, analisado e julgado, ainda mais à distância, sem poder se defender...

Atravessei a galeria depois de cruzar obrigatoriamente na faixa, para finalmente o outro lado da avenida.

Achei o consultório da Dra. Lagonegro.

Este nome me fez pensar em Guerra nas Estrelas. Lagonegro, Ladonegro.
Deixa pra lá.

Sala de espera quente. Mas infelizmente fui chamado logo. Infelizmente porque eu estava escrevendo tudo o que o calor do maldito ônibus me fez vivenciar e pensar. Acabei não conseguindo concluir naquele papelzinho bonito que a recepcionista havia me dado. Eu até que escrevia com letras legíveis mas foi curto o tempo. Escrevia sobre a tortura do ônibus e a nossa tortura existencial.
Seguinte, essa merda de destino que as pessoas falam, será que quem criou isso foi Darwin ou Rousseau?

Olha só, tem um babaca aí que falou que são suas escolhas que dizem quem você é. Frase utilizada (e adorada) por aqueles caras que fazem entrevista, psicólogos, empresários, sabidões... mas ela é perigosa. Ela esconde um falso ideal.
As escolhas que fazemos estão submetidas ao pensamento, e é este filho do cérebro, que é um órgão do corpo humano, que tem suas características definidas pela carga genética vinda de seus pais.


O ambiente em que você vive é determinado pela sua capacidade de gerar riquezas e cultura. Porque se você se encontra neste nível sócio-cultural é porque seu corpo e sua mente permitem que isso seja possível. Eles te dão capacidade, talvez até a ânsia, para fazê-lo.
O momento é você mesmo quem escolhe. Seu pensamento. Sem querer é você quem acaba se colocando em determinadas situações, são suas capacidades que te fazem estar em certos lugares em certos momentos.
Desse modo você estará sempre dentro dos seus limites e nunca sairá. Jamais conseguirá se superar. Pois se você realizou tal tarefa é porque tinha capacidade para isso. Não há superação, como se uma pessoa que soubesse suas características genéticas e estivesse te assistindo nunca fosse se surpreender com um ato ou conquista sua. Um boneco totalmente previsível. Será então que devemos lutar pra sermos o que já somos?
Para termos o que já é nosso? É como se tudo já tivesse sido escolhido.
Será que na verdade, seus pais definem quem você é e seus avós definiram quem seus pais são?

Bom, o fato é que não quero pensar assim, prefiro achar que sou livre, satisfeito e que vou ter sucesso e ter mais satisfação. E essa felicidade vai gerar sucesso e esse ciclo vicioso será infinito e eu serei um velhinho feliz. Que meus netinhos vão se orgulhar do velhinho e de meus grisalhos cabelos modernos. Um velhinho porreta ou doidão. Quanto sucesso!

É isso e pronto! Essa coisa de destino darwinista ou rousseauniano é um lixo.
Nem sei por que pensei nisso...

AQUI ENTRA OUTRO CONTO.
TALVEZ A DO EXISTENCIALISMO SOBRE A MESA.
“aqui termina a estória do existencialismo sobre a mesa”


Dias depois.

Aquela história de Darwin e Rousseau serviu pra alguma coisa.
Certa vez conheci uma menininha bonita, aspirante romântica a atriz. Cheia de grandes vontades e ideais.
Boca rosada, corpo a altura das aspirações.
Lolita.
E agora a reencontrei num desses testes de teatro, com um auditório cheio de jovens atores e estudantes esperando para a avaliação.
Esta menina disse que não sabia mais se seria atriz ou se partiria pra outra.
Pronto. Prato perfeito. É a deixa que o grande ator estava esperando:

ELA - Ai ai. Não sei se continuo, me decepcionei muito com este mundo... mundo vazio, fútil, pessoas interesseiras que só querem derrubar umas as outras, gente vaidosa que só vê a si mesma. Um dia elas se afogam!
EU - Eu acho que você deve escolher. Só você sabe o que seu coração diz. Boa sorte na vida. Suas escolhas de hoje dirão quem você é no futuro – Nossa, como eu sou hipócrita! Falei mal do cara e estou aqui repetindo seu discurso – em pensamento!
ELA - Ai que lindo! Espero que eu esteja acertando mesmo, dá um medinho, né?
EU - Sempre dá... mas parece que as escolhas que fazemos já estão feitas, antes de escolhermos, você sente isso?
ELA - Eu sinto! Eu acho que a nossa parte de escolha é bem pequenininha perto do caminho que já está traçado! Ai que medo!
EU - Parece mais mágico que isso... parece que já está tudo escrito e não podemos fazer nada, só lutar pra termos o que já é nosso! Louco, não é? – Eu me contradizendo!
ELA - É um jeito legal de encarar, não gosto de pensar que temos 50% de chance de dar errado, prefiro acreditar que algo quer que eu dê certo!
EU - Eu não penso nada, vou lá e faço, só quando paro pra pensar onde estou me levando é que tiro minhas conclusões... alguns desejos devem ser realizados... Talvez a culpa possa nem existir depois, pois certas atitudes devem ser tomadas sem serem pensadas, alguns prazeres só são possíveis se o lado racional não existir. Se entregar às tentações é a melhor maneira de acabar com elas, e você nunca se arrepende – encaminhando a conversa para um lado tendencioso.
Eu continuo - As tentações merecem ser experimentadas!

Percebendo a reflexão dela:

EU - Mais uma coisa, você tem cara e jeito de atriz, sabia? Não por fora, mas atriz por dentro, atriz de verdade, daquelas que fazem teatro e cinema, de personalidade. Que fazem as outras pessoas quererem fazer teatro, inspiradora! – tentando encaminhar para aquele assunto tendencioso.
ELA - Ah obrigada! Isso pra mim é um grande elogio! Eu também acho que por dentro eu sou atriz, mas nunca encontrei um lugar pra isso...
EU – Mas você encontrará... eu sofri muito na época em que era estudante de artes, até perceber que aquelas pessoas vazias são adultos com mente de crianças, pessoas cegas, bobas, inofensivas, que não chegam nem perto de mim... elas vão todas se afogar nas águas de seus reflexos...
ELA - É, eu queria ser igual você...mas não consigo...penso demais o tempo todo...

Risadas.

EU - Eu também penso muito. - Sorriso. - Melhor deixar pra lá...
ELA - Fala. O que você pensa?

Ela ainda sem malícia, pelo menos não como a minha.

EU - Eu penso, não nisso, penso que a vida é uma película bem fina! E tudo está sendo filmado agora!

ELA - Eu sempre vejo pessoas que são adultos com mente de criança! Mas não no sentido Pequeno Príncipe... – voltando ao assunto de cinco falas acima.

Ai que meiga!

EU - Entendo, é nesse mesmo que eu falo, povo totalmente dominado! Então resolvi não deixar nada me atingir... Só mergulhar no que faço... estudar eu já estudo. É só ser verdadeiro que você se torna autêntico, a assim já se destaca dos tolos... Comecei a me jogar em tudo, se eu sentisse vontade eu fazia. Atitudes libertadoras, de quem sabe o que quer! Não dava rédeas aos meus desejos...
Tentando encaminhar o assunto novamente... mas ela...
ELA - Dominado por quem?

Então, numa avalanche sem retomada de fôlego para acabar de vez com esse assunto e ir direto para o “outro”.
EU - Dominado por necessidades, dinheiro, poder, fama, aparecer, destaque, necessidade de aprovação, necessidade de parecerem pessoas felizes, eficientes e satisfeitas, o que na verdade não são... pessoas normais são raras... o normal é ser raro.
ELA – Hahaha! Nossa! Eu sei o que você quer dizer...

Mais avalanche.
EU – As pessoas são insatisfeitas, por isso, infelizes, e na verdade você encontra a felicidade junto com outras coisas, com a paz e com o amor, só assim, não há outra maneira.

Diminui a avalanche e agora é um delicado cair de neve.
EU - A satisfação está juntinha da felicidade e do amor, entende?
ELA – Acho que sim – quase entrando na minha.

Mudando subitamente.
ELA - Ai, muito louco isso!
Eu puto.
EU - O louco é aquele que não se encaixa no nosso modo de pensar e esse nosso pensamento coletivo fomos nós que criamos, não eu e você, mas pessoas que vieram antes de nós que são chamadas de normais. Quem disse que se os loucos tivessem criado um modo coletivo de pensar nós não seríamos os loucos?
ELA – Eu não sou louca!
EU – Eu sou!
ELA – Como assim?

Será que ela tem problema? Ou eu que não percebo algo de errado nisso tudo? Ela deve estar filmando isso, não é possível! Só me falta essa, vai mostrar para as amigas. E agora? Nunca mais consigo uma mulher. Não tem nenhuma câmera aqui. Ali... ali... O que é aquilo? Vulto. Droga, nunca quis usar óculos. Agora fudeu. Não é câmera não. Não pode ser. Pior que é mesmo. Fudeu.
Não, é um saco preto. É um saco! Fudeu. Tenho que dar um jeito de dispensar a lolita. Não vai rolar. Será que as pessoas que têm afinidades conosco é porque tem tendência a ter, ou será que se nos esforçarmos e dissermos o que elas querem ouvir conseguimos conquistá-las? Será que se meus mais são pessoas pacatas ou introspectivas eu nunca vou conseguir ser aquele cara famosão conquistador? Não posso conseguir ser um artista nem com a a exaustiva e excessiva capacidade de repetição? Nem que eu faça especialização nisso? Será que meu cérebro não muda mesmo?
A lolita adorou a conversa mas o celular dela tocou. Era o namorado. Brigaram. Ela me contou depois que ele é 16 anos mais velho. Que ele não gosta de teatro. Que é coisa de viado e de mulher safada. Que se ela fizesse aquele teste, pior ainda, se fosse continuar a levar pra frente “essa coisa de querer ser artista”, ele largaria dela.

Fizemos o teste, um de cada vez. Fui embora e nem sei dela.

AQUI ENTRA OUTRO CONTO.
TALVEZ A DA JANELA DO HOMEM QUE BUSCA O PERFEITO.
“aqui termina a estória do homem que...”


Dois meses depois encontrei a lolita:
EU - Oi, eu nunca mais te vi. Não tem ido mais nos testes?
ELA - Não. Eu descobri que não sirvo pra isso. As pessoas não são boas nesse mundo das artes. Elas querem abusar da gente e nos dominar.
EU - Entendo. – Pensei no namorado dela, será que ele também não quer abusar e pior ainda, já a dominou?
ELA - Estou mais feliz assim, vou ser aeromoça. – e um sorriso apático descoloriu seu rosto, sem me convencer de nada. Já não era mais aquela lolita que me atraiu. Ela quase estampava a marca da arroba na sua carne.

Será que seus genes já previam isso?

E eu ainda me orgulho.
Será quem realmente lida com monstros pode se tornar um?
Será que quem se torna monstro é por que já nasceu com genes propícios a sê-lo?

Humano demasiado humano!

fevereiro de 2007

1/06/2007

Inspiração

Quando se procura pelo divino suspiro e não o encontra, é que vc deve apelar para o braço.

Brainstorm escrito assim, tudo jundo, significa inspiração.
Quando separado, Brain Storm, já remete a outro significado, tempestade de idéias, ou seja, quando um grupo se reúne para discutir e colocar frente a frente idéias vindas de mentes diferentes... mas não é sobre isso que eu discorro.

A imagem abaixo significa inspiração e é por ela que procuramos, quando encontramos apenas o braço. Viva David Lynch, eu sou o braço!

Procure uma imagem, adicione-a a seu micro, clique ali no enviar imagem e siga as instruções, copie o código, cole dentro da ferramenta do blog... complicando...

Vai fazer um link? Fica pra amanhã...

Quer conhecer a Brainstorm production? clique aqui ou na imagem






Mas eu não pretendo dizer nada com isso!

11/07/2006

O Retrato de Dorian Gray


Alguns podem dizer que Oscar Wilde foi um Dândi que como tantos outros, só valorizava a juventude e a estética. Outros transferem essa idéia para os seus textos. Chamam as obras de Wilde de superficiais e pretensiosas. Mas ele foi um grande escritor que atingia o brilho da arte em seus paradoxos e seus discursos sedutores. Suas máximas, já dito anteriormente, podem ser colocadas na estante ao lado das de La Rochefoucauld sem o menor receio de desbalanceá-la.

Oscar Wilde atingiu o máximo de sua ousadia e brilho literário quando terminou o seu único romance; O Retrato de Dorian Gray. Esta obra narra a história de Dorian, de sua encantadora beleza jovial, que, retratada em um quadro de Basílio Hallward, teve após grande culto, sua forma física eternizada. A beleza de Dorian jamais acabaria, enquanto o quadro sofria a ação do tempo e das marcas que o pecado deixa no rosto dos perversos. Era essa a vida que Dorian recebeu de Oscar. Dorian Gray abusava de sua estonteante e irremovível beleza, o chocou a aristocrática e hipócrita sociedade inglesa.

Os Dândis eram um número considerável da sociedade londrina, devido ao super enriquecimento de parte da já alta sociedade daquela cidade.

De tão apegado que era às suas descrições estéticas, o protagonista não conseguia saborear o que a vida lhe oferecia. Somente sugava o que lhe agradava os olhos e o ego. Era um vaidoso completo. Perverso e devasso, sabendo de sua condição de estátua grega indestrutível, não impunha limites a sua vida. Esta obra é repleta de temas de grande polêmica para a época, alguns ainda para os dias de hoje. A paixão que aproxima e afasta os homens, divisão entre corpo e alma, aquele como a parte visível e essa como a mais importante, a que contém todos os sentimentos, e que não pode ser vista. Dorian Gray não acreditava que seus atos eram tão cruéis, aliás, tentava não acreditar. Pensava estar fazendo a coisa certa, mas é sempre desmentido quando olha seu retrato enrugado, reflexo do desgaste de sua alma.

Oscar Wilde não pode ser confundido somente com o homem que entrava em locais públicos e bem freqüentados, vestido em trajes extravagantes assumindo atitudes polêmicas, este é o Oscar que desejava chocar. O iconoclasta dividia suas atitudes com o público de duas formas distintas, como ele mesmo dizia; “há duas maneiras de conquistar o público, ou você diz o que ele quer ouvir, ou o escandaliza”.

Proscritos & Polêmicos

frenético e duvidoso.



A revista “Proscritos & Polêmicos” surgiu e agora ousa ser um herói!
Talvez os heróis sejam somente ousados, mas talvez não. O que se sabe é que todos eles começaram assim mesmo.
A revista ambiciona ser um guia para os que não enxergam no escuro. Um guia para o esclarecimento.

A arte escrita universal acontece e o público não conhece o caminho para tocá-la. Aqui será seu ponto de encontro. Uma teia de linhas e entrelaces.

Proscritos & Polêmicos, cuja temática é uma seleção de escritores da literatura universal que, ao destacarem-se, foram perseguidos, banidos e/ou proibidos, é uma revista que vai atrair o interesse do público para o universo das letras, que foi tão, ou mais importante e poderoso quanto à mídia televisiva nos dias de hoje, claramente mais profundo e verdadeiro.

Estranho dizer que foi. Ainda o é. A percepção geral é que condena os verbos ao pretérito perfeito, simples. Tão simples e imperfeito. Ou não. Os artistas podem parecer imorais e tortuosos. Aqui são chamados de amorais e voadores. Mas essa é uma opinião. Qual é a mania de se ver saídas mesmo dentro de labirintos? Realmente eles tinham suas manias e excessos. Mas a essência que os perfuma não é de todo nem por todos sentida.

A polêmica e a expulsão de cada edição será dedicada a um artista diferente, não tendo ordem cronológica dos autores nas publicações (aparecendo Oscar Wilde antes de Friedrich Nietzsche, por exemplo), evitando assim, o cansaço e a espera por escritores da preferência de determinados leitores, ao mesmo tempo em que é criada uma expectativa no mesmo.

A relação da literatura com o mundo prático é imensa; ideologias, costumes cinema, marketing e muito do que é visto diariamente foi idealizado e colocado em prática dentro da história da literatura.

Este produto foi projetado e elaborado na busca de despertar o leitor que não sabe como correr, ou começar a caminhar, no mundo das letras.
Espera-se voar agora! Voar como os que aqui serão citados (entenda reverenciados), fizeram.

As asas já foram dadas.


10/03/2006

Cultura Livre – SESC


Na continuação da Temporada SESC de Artes, Cultura Livre (25/09 a 05/10) aconteceu a oficina “Web Art e Compartilhamento de Imagens”, nos dias 02 e 03 de outubro.

Coordenada por Glauco Paiva (do grupo Coletivo Metareciclagem), a oficina ampliou noções de arte, mostrando alguns movimentos artísticos, uns voltados para a imagem, outros que são uma mescla de tecnologia eletrônica e corpo humano (Stelarc).

Amarrados a essa idéia de Creative Commons , que é uma ferramenta de promoção do acesso à cultura, à informação e para a democratização das mídias, os coordenadores deste evento vêm abrindo caminhos (mesmo em brevíssimo tempo) para mostrar o surgimento, ou a possibilidade, de uma nova perspectiva da relação consumidor/produtor.

Se a arte é uma manifestação humana dentro de um contexto histórico e social, o artista deverá estar sempre atualizado, observando e sentindo (talvez compreendendo) as transformações para poder utilizar-se delas, negá-las ou destruí-las.

Por Alex Wildiner

9/15/2006


Nada melhor do que o corpo para curar a alma e a alma para curar o corpo...

No último instante da agonia lembrei-me de Oscar Wilde... quando Dorian mergulha sua face branca dentro de uma lótus azul (lótus?), alisando assim a aspereza da sua alma...

Será a sociedade da ansiedade?
Ainda resta corpo para curar a alma? Ou a alma em lama não consegue salvar o corpo já ensopado de tudo o que não sabemos, de comida transformada, de palavras vistas, ouvidas, assimiladas, do labirinto rápido de paredes móveis e reflexivas?
A escravidão opaca aos olhos. A escravidão envolta na alma.

Recorro ao meu irmão que faz questão de me lembrar da estátua pixada lá da Universidade, que sempre grita frases do louco filósofo prussiano: A Arte Existe para que a Verdade não nos Destrua!

Salve o Teatro Mágico!

9/13/2006

O filho da puta do meu Office está zicado e eu não consigo fazer nada... nem copiar e colar!
Vai pro inferno, vou comprar uma máquina de escrever!

5/31/2006

Do papel que me leva...

- Choro por pouco.
Eu disse isso a quem havia me perguntado.
Choro é só choro. A lágrima é um líquido salgado.
Só isso.
Mas eu estou agarrado ao meu livro. A minha eterna companhia que eu sempre acreditei estar ao meu lado. Meu livro. Que me colocou entre os homens e que me faz erguer o rosto e olhar o mundo, ora com ar de enfrentamento, ora com ar cordial, como se dissesse: que boa companhia a sua!
Não vou parar de escrever para chorar... No meu visível transtorno, engulo minhas lágrimas com minha boca salivante porque quero toma-las por inteiro e alimentar minha alma... se o rolar de minha lágrima esvai o meu sofrimento, eu a engulo para explodir e poder ressuscitar.
Eu ouvia os passos dela do outro lado da linha. Passos altos para uma pessoa tão delicada. Passos firmes para uma garota que chora. Passos decididos. Não queria destruir um sonho, mas o valor da verdade é muito maior do que a efemeridade da ilusão. Ela me falou da surpresa ao ver as lágrimas dos outros. Lágrimas caídas por sua ausência. Lágrimas entre abraços, ela iria deixa-los. Eu acabei com o sonho dela por dizer toda a verdade.
- Esse sentimento todo do “grupo” por você é falso. Eles jogam seus próprios erros uns nos outros, já jogaram em você! Há uma hora, eu escutei da boca daquele que te abraçou chorando, que não quer “ouvir mais esse papo de humildade, que ator é vaidoso...”.
Continuei...
- Você vai sair por não ter a estrutura financeira que ele tem. O abraço dele foi um ato hipócrita que eu não suportei ver. Ele acredita ser o melhor dali, não sente a sua falta nem vai sentir, pois só pensa em si e repugna a humildade, que é o que você tem aí escorrendo dos seus olhos... ele confirmou todas as palavras da conselheira sobre a necessidade de generosidade no grupo, mas antes de ser generoso, o homem deve ser humilde, virtude que ele abomina! Paradoxo ou hipocrisia?
O leve choro dela deu espaço a um silencio, para depois iniciar um soluçar. Eu disse que as pessoas que a amavam estavam ali, ao seu lado. Para não se emocionar com o falso. A família dela é o que ela tem de verdadeiro. É isso. O sonho acabou, mas deu espaço para uma possível construção real. Ao reconhecer a futilidade, muita coisa perde o sentido, muitos filmes, livros, pessoas, muito se esvai de valor. Mas isso é recompensado quando algo de precioso é visto, e o raro só pode ser reconhecido por aquele que também reconhece o fútil.
Eu disse a verdade. Eu a salvei com a verdade.
O fundo do poço é onde estou e é de onde eu saio. O caminho é longo. Mas antes um longo caminho do que não ter lugar nenhum a percorrer.
O renascimento é constante.
Quem vai entender isso?
Cometi um erro.
Meu livro que me trouxe até aqui. Mas antes dele, havia e ainda há outra coisa.
Há pessoas.
Pessoas que entregaram ele a mim, ou melhor, que me entregaram ao livro... De quem muitas vezes eu estive, e ainda estou, distante, mas que nunca se distanciou de mim. Que me pegou com as duas mãos desde criança e que eu nunca fui grato!
Minha ingratidão é um monstro que devora voraz e impiedosamente.
Sinto que estou sendo polido nas palavras, pois minhas lágrimas diminuem seu ritmo.
- Cala a boca, que não errei a gramática!
Eu não posso mais ficar de costas! Não sei para onde ficar de costas! Já não sei onde estou nem para onde vou, pois nunca estive em lugar nenhum. Soluço de olhos fechados ainda escrevendo.
- Não sofra por pouco... alguns homens são só meninos tão frágeis que necessitam de atenção. Co
rações pobres. Mentes retraídas. Tropeçam nas próprias pernas e nem percebem. Culpam alguém.
Não ouço a minha voz porque o que é superficial tomou conta de mim e eu já estou cego e me culpo. Não sei mais o que dizer!
Só me culpo!

O livro me foi entregue, e o que eu entrego de volta àqueles que o me deram?
Eu estou morrendo por dentro sem saber o que fazer. Acabo de ser interrompido, não quero ajuda de ninguém!
Não quero idéia nenhuma entrando em meu pensamento. Não mais vou ficar calado. Ainda penso antes de agir, mas a verdade deve ser dita. A justiça deve ser feita. Clichês verdadeiros. Quem critica o clichê sabe criar alguma coisa?
Hoje eu vou dormir.
Odeio ser interrompido, acho interrupção egoísta!
- Não me exclua de seu sofrimento!
- O sofrimento é meu!
...
- O que eu disse foi covarde, mas foi o que senti. Por favor, me perdoe, pois eu te amo.

Não penso mais nada.

A euforia passou. Sobraram meus pedaços e eu nem sei onde eles estão nem o que fazer, se por acaso eu os encontrar. Mas não estou, nem me importo.
Vou fazer o que é verdadeiro. Voltar e acolher o que me acolhe. Fazer o que eu falei para fazerem, ao invés de ficar falando. Estar ao lado de quem está ao meu há anos.
Segurar as mãos daqueles que me seguraram quando eu nem sabia andar. Daquela menina que me falou uma certa vez quando eu sentia uma das maiores tristezas. A primeira tristeza. Ela me falou que estaria sempre comigo. Que não sabia usar as palavras como eu, mas que mesmo assim iria usá-las... humildade poderosa. Só nessa ela já me colocou no chão. Ainda tenho o bilhete guardado, mas nunca mais o abri. Acho que eu morreria se lesse aquilo agora. De uma forma ou de outra ela sabe disso, e se não souber, talvez nem precise, pois o que ela sente é incondicional.
Abraçar o menino tímido que me ajuda sempre... sempre... Aquele que foi ficando pequeno enquanto eu crescia, mas que é imenso. O menino tímido de caráter de herói. Acreditar também naquele super homem que agora sofre de um mal criado por ele mesmo. Meu pai, o que eu faço pra te ajudar? E aquela menininha que me deu a vida. Como eu posso te pegar no colo?
Ah! Se todos vocês soubessem...
Mas eu não sei como. De tudo que aprendi, não sei...
De toda minha inteligência elogiada, não sei...
Só sei que choro.... mas o choro é só choro.
Uma lágrima é só um liquido de sal.
E quem eu abraço, é apenas um pedaço de papel...



Alex é um menino em pedaços
Mas quem aqui não está em pedaços?
Quem não estiver,
é porque é pequeno demais para ser dividido...
Talvez ele não queira se juntar agora.
Ele chora, mas você nem sabe o porquê.



24/25 de maio de 2006

5/16/2006

Essa semana foi intensa! Não estou falando do conflito “mocinho x bandido” que vem acontecendo desde a madrugada de sexta-feira. Das imensas tristezas que vêm acontecendo a famílias de pessoas inocentes. Eu me refiro à minha vida pessoal, ao lado bom dela!
Quinta-feira, 11 de maio, aniversário da Lulu! Minha namorada estava louca não sei porquê. Mas aí teve a festa com “bolo do ‘seu’ Osvaldo” (é Osvaldo mesmo?), os presentes, os amigos e ela se tornou um docinho. Acho que ficou longe de mim tempo demais!
Sábado fomos comemorar novamente o seu aniversário num bar/balada e foi muito bom. Pessoal reunido. Aquela sensação tranqüila, as pessoas que você gosta ali do lado, todo mundo em paz, uns beijando, outros não.Tudo do jeito que deve ser.
Domingão sem Faustão! Fomos ver a peça Lázaro, baseada na obra de Dostoievski, formatura dos estudantes de teatro do Célia Helena. Peça em 2 atos. Saímos no intervalo entre eles! Eu me senti antiarte naquela hora! Mas esta sensação foi efêmera. Um segundo! Pois fui tomado por um anti-sono necessário para o momento; eu estava dormindo na platéia. A peça deve ser boa, eu é que não sou um expectador de qualidade.
Sem saber o que fazer, fomos procurar o Rei!
- Será que na Paulista tem Rei do Mate?
- Vixi! Pra que lado devemos entrar?
- Acho que pra esquerda!
- Eu acho que não...
Vuumm!!!
Esquerda!
- Gasolina!
- Deixa que eu pago!
- Então eu pago o chá!
- Tudo bem...
De volta à Paulista!
Deslizando dentro do carro bem devagarzinho, fomos eu e a Super-Lu pela Avenida Paulista.
Nada do Rei.
- Vamos comer a Pizza no Pedaço da Pizza?
- Vamos...
- Cadê o pedaço da Pizza?
- No número 1463, eu lembro!
Estacionamos.
Do lado do Pedaço, vimos o Espaço Unibanco de Cinema. Entramos. Quase assistimos Árido Movie.
Quase.
Saímos.
Em frente ao cinema:
- Olha ali Leco! O Sabor do Mate!
- Será que é igual ao Rei?
- Sei lá, nunca experimentei Rei nenhum!
- Ah! Será que chá do Sabor do Mate é igual ao sabor do chá do Rei do Mate?
Nossssssssssssa!
Mate Suíço: Duas colheres de sopa de leite em pó. Duas colheres de sopa de ovomaltine. 300ml de chá tradicional. E acho que só!
Nossa! Muito bom!
“! Z%¬²²o*£2 !” - xingamento
Coxinha natureba murcha!
- Ainda cabe alguma coisa aí?
- Cabe um Pedaço de Pizza.
Olha só! Nós dois ali naquele beco aconchegante. Lugar rústico e gostoso. Meio gay, mas eu não me constranjo. Sentamos numa mesa e contamos logo de cara com a simpatia dos acolhedores, melhor, das acolhedoras freqüentadoras lésbicas do local, que se sentaram na mesma mesa da minha namorada bem na minha ausência!
O preconceito está na cabeça delas. Nem “oi”. Nem “com licença”. Somente um autoconvincente “eu vou sentar aqui, não estou atrapalhando”. E não estavam mesmo. Mas educação nunca doeu em ninguém! Ali tudo era bem vindo!
Lugarzinho com cara de exterior. Pessoas diferentes, num lugar diferente do que eu estou acostumado. Eu, na verdade, não estou acostumado com nada, não sou freqüentador de um lugar de um tipo, específico, sou um pouco errante. Nômade. Ou não.
Lugar com cara de exterior. Afinal, para um menino do interior, o que será um lugar com cara de exterior?
Mas o lugar era delicioso.
Pizza de três cogumelos.
Falei pra minha namorada que eu acho que tinha muito mais do que três cogumelos. Ela me explicou que realmente tinha mais do que três cogumelos, mas que a pizza tinha esse nome porque tinha três tipos, e não três cogumelos ao todo, fatiados sobre a pizza.
- Ãããhhh!
Fui perdoado!

OPS importante: a pizza tinha muita rúcula sobre!
Bom também!

Segunda-feira sem Cavaleiros do Zodíaco! Mas isto eu conto depois... Fiquem com a pizza de cogumelos!

4/27/2006

A vida é uma coisa doida mesmo...

As vezes eu sinto que fico somente sendo jogado pra lá e pra cá, no meio das ondas... sem poder fazer muita coisa, só me manter emerso.

Mas é nesse jogo que eu estou redescobrindo uma pessoa que eu venho amando há um tempo...

Que o balanço das ondas faça muita espuma!

Tim tim!

6/03/2003


Essa foi a nossa semana na Yellow Tower,
contada pelo nosso amigo morador e ator, Beto Davis
Segunda-feira
dia de branco na Cidade sem Limites. Ainda estou anestesiado por ter dormido tanto no final de semana......e meio desapontado por saber q nada vai superar minha última semana em Bauru.Uma vez eu vi uma entrevista com o Stallone em q ele contava como foi dia da pré-estréia do primeiro Rocky. Ele estava nervoso, afinal ele era um ator desconhecido e nesse filme ele era o roteirista e o protagonista. Bom, após o filme ele disse q houve um silêncio e todos se dirigiram ao hall da sala de exibição. Ele estava em outra sala e já estava conformado com a idéia de todos terem odiado o filme. Quando ele estava descendo as escadas para o hall, disse q todos se viraram para ele e bateram palmas por alguns minutos.Naquele momento ele sabia q a vida dele tinha atingido o ponto máximo, e nada q ele fizesse a partir dali seria tão gratificante e emocionante quanto aquele instante na escada em q todos o aplaudiam. Bom, essa minha última semana em Bauru foi o "momento da escada" e vou explicar pra vcs porquê.Antes de começar, quero deixar explicado q essa foi a Semana da Engenharia na faculdade, e nós, futuros engenheiros, não tivemos aulas, apenas palestras. A maioria era a tarde, portanto não nos obrigava a dormir cedo. Vou omití-las no meu relato, já q não são tão interessantes quanto os eventos q se seguem.
::: Segunda-feira :::
O q é melhor q uma segunda-feira sem aulas? Uma segunda-feira sem aulas e com rodízio de pizza!!!Sim, segunda foi dia de Joílson's e algumas dezenas de fatias de pizza fizeram a semana começar com o pé direito.
::: Terça-feira :::
O q é melhor q uma terça-feira sem aulas?? Uma terça-feira sem aulas e com esconde-esconde!!!!Essa foi a primeira vez q a Yellow Tower (nossa Rep) foi palco dessa brincadeira, e foi demais. O pics eram alguns colchões na sala, portanto da hora de se bater a pessoa tinha q se jogar neles. Rolou de tudo, o Alex se jogou da sacada, eu pulei na piscina do telhado do sobrado, enfim, todos fomos dormir machucados e felizes! =)
::: Quarta-feira :::
O q é melhor q uma quarta-feira sem aulas??? Uma quarta-feira sem aulas e com garotas!!!!! Esse dia não seria nada sem nosso amigo Baby. Baby, nós amamos vc!!! O dia não prometia muito, estávamos aqui em casa assistindo alguns filmes (Senhor dos Anéis e Studio 54) quando o telefone tocou. Era o Baby. Ele disse q uma amiga dele tinha se mudado e tava rolando a inauguração do apê novo, e ele não queria ir sozinho. Então eu, Titcho, Rodrigo e Alex fomos acompanhar o garoto (o Pena, o outro integrante da Yellow Tower, estava viajando.... hahaha!!! Perdeu!!!).Passamos no mercado para comprar torradas (a anfitriã tinha pedido) e chegamos na festa. Tive q me beliscar quando entrei no lugar...haviam umas 20 garotas...e nenhum homem!!!! Pensei q estava no céu, não dava pra acreditar...A festa estava boa, mas nós queríamos levá-las pra YT (Yellow Tower). Como percebemos q passava das dez, fomos até a portaria reclamar do barulho... )) O porteiro foi até o apê reclamar do barulho e as garotas ficaram todas tristonhas... oh dó.... Nós tínhamos q fazer alguma coisa, então sugerimos q todas fossem pra nossa Rep. Elas voltaram a sorrir e todos fomos pra lá!Chegando lá o videokê animou a festa e o q aconteceu lá dentro... bom, só as paredes amarelas da YT sabem...
::: Quinta-feira :::
O q é melhor q uma quinta-feira sem aulas? Uma quarta-feira sem aulas e com garotas!!!!! É, a quarta-feira foi o top da semana... mas não é por isso q os outros dias foram ruins. Na quinta-feira nós pudemos comentar a quarta! E no fim da noite ainda rolou um lanche na Lucy, uma lanchonete bem legal daqui de Bauru.Na volta da lanchonete paramos do lado de algumas garotas no farol e as levamos lá pra casa. Apresentamos a YT pra elas mas dava pra perceber q nenhum de nós estava muito animado... Afinal, o q eram 7 garotas perto de 20? Dispensamos elas e fomos dormir com a moral lá encima. =)

PS Importantissimo: o Beto que contou essa historia é o mais moderado da casa!!!!
Nossa!
A vida virou festa, e o melhor, festa de psicologia na minha casa!
Aviso às p´sicólogas não convidadas: venham todas para a Yellow Tower e dêem um viva à nossa nova casa!!!
Semana q vem veremos as fotos...Fui nessa!!!

4/22/2003

Na Vida Nao Ha Ordem!
Se voces repararem, este comentario tem a acentuacao (em teoria) correta, o que significa que minha viagem, pela Europa, chegou ao fim. Mas minha viagem pela Terra mal comecou!
Acabei de perceber que acentuacao nao existe em blogs de origem americana, portanto, desconsiderem o que escrevi nas tres primeiras linhas, tive que reescreveer meu portugues nas regras americanas!
Voltarei ao blog para falar de Paris pois esta cidade merece um "Post Literario", e nao somente um comentariozinho caprichado como normalmente.
Estou na minha cidade universitaria. Otimos contatos por aqui e melhores na Grande Capital. Casa nova, pertinho da minha academia. Nao descreverei aqui, como de costume, os lugares onde ando nem onde moro.
Mas estou muitissimo feliz. Com turma nova mas sem interferencia na velha, alias caminhando juntas!
Em breve estarao aqui publicadas as minhas recordacoes visuais.
Soh uma coisa, a diferenca entre o jornalismo e a literatura eh que o jornalismo eh ilegivel e a literatura nao eh lida.
Meu projeto de conclusao de curso sofre de diversas contradicoes ideais, praticas e de linguagem... algo estah errado, (risos sarcasticos)

3/15/2003

Crazy Dogs and Pussy Cats in Suspects Suicude Attacks!!!
Hj eu me perdi num labirinto vivo!!!
Fui num castelo aqui perto de casa, Hamptom Court, casinha do Henrique VIII...
Fiquei 45 minutos para sair de dentro do labirindo de plantas de tras da casa dele, eu e
mais uma centena de pessoas...


Sobre meu sonho
Paris...
...pessoas, sol e vento de um frio brando...
Cem fotografias, mil coisas na lembranca, duas mil no coracao!

3/11/2003

Paul Nick, cara, eu quero umas oncas dessa ai na faixa, afinal seu 2.2 bebe mais gasolina que nois bebe alcool!!!
Alines Estrada, nao acredito que o Paul te achou, hahaha, subitamente vc some da vida de todos nos e agora reaparece, ve se aparece para fazermos umas baladas juntos... Line, Phanton eh tudo, mas PARIS eh ainda melhoR!!!
Pamela, finalmente, hein? Novidade p vc... meu aviao nao explodiu!!!
Breno, te perdoo, mas eu sei que vc vai virar leitor do meu blog, um dia, rs...
Kisses everybody (que coisa G...)

Nossa!
Paris eh mais do que eu pensava, esperem pois a descricao das loucuras que me aconteceram estao por vir, aguardem!!!
PS: Estou planejando estudar ano que vem lah, isso mesmo, estudar na Franca, melhor ainda, em PARIS!
PUTZ, parece sonho!

3/07/2003

Hoje eu recebi um email de uma amiga da Alemanha, ela achou que eu ja estivesse de volta ao Brasil.
Friedi, eu sei, eh nome de homem, mas ela eh loira e estuda na mesma escola que eu, soh que durante a tarde.
Galera, tenho uma coisa pra contar, mas vou deixar para falr soh segunda feira, depois que eu ja tiver realizado...
abracao para voces, espero que meu aviao nao exploda!

3/04/2003

Depois volto para postar direito.
Fui assistir ao "Phantom f the Opera", o proprio, o original, o de Andrew Loyd Webber. Nao vou falar que adorei pois eh obvio.
Na saida eu conheci Heidi Ann O'Brien, uma bailarina da minha idade que trabalha nessa peca, amanha volto ao centro de Londres e falo com ela denovo...
Soh isso Galera!

3/02/2003

Todo mundo veio ao meu mundo hoje!

DOS MELHORES MOMENTOS
Os melhores momentos da inglaterra sao como os melhores de qualquer lugar do mundo. Sorrir. Boas lembrancas. Ser lembrado. Sentir-se amigo e ver alguem comecar a gostar de voce. Ler cartas (emails, pois ninguem me manda cartas!) sinceras de seus sinceros amigos, ouvindo Crash into Me (musica do Paul Nick) como musica de fundo.
Sempre que me acontece isso me sinto renovado. Ressusssitado eh a melhor palavra para esse caso. Comeco tudo denovo e nao preciso de mais nada… celebrate I will, cause life is short but sweet for certain = celebrarei sim pois a vida eh curta, mas eh certamente doce…
CORVOS & ESQUILOS
Do meu quarto eu via uma briga. Um esquilo e um corvo se espancavam por uma migalha de pao. Foi quando desci ate a cozinha, abri a janela e esfarelei 3 fatiasde pao-de-forma e joguei lah fora...
Eles fizeram as pazes!..

3/01/2003

Jack Ass
Coisas que eu nao esperava tanto. Estou saindo bastante, agora vou dar uma diminuida, mas ja tenho grandes recordacoes. Comecei a gostar muito dos Pubs. Uns tem musica, outros banda ao vivo e a maioria nao tem nada, soh vozes das pessoas que gastam 18/20 reais por uma cerveja.
Na terca feira eu e Mohamad, meu amigo de sala, saimos da escola mais cedo para ir ao centro de Londres dar uma passeada e conhecer o Imperial War Museum, um museu sobre as guerras famosas. Impressionante. Logo do lado de for a voce ve dois canhoes de navios. Isso, canhoes de navios, mais ou menos de 30 metros de comprimento e uns 10 de altura, nao cabe dentro de uma casa.
No primeiro instante dentro desse museu, todas as pessoas param e olham para cima. 3 avioes da segunda guerra e dois do final da primeira pendurados no teto numa posicao que parece que eles estao voando. Lindos! Eu fiquei varios minutos olhando o meu aviao preferido, um que eu tenho algumas revistas sobre, P-51 Mustang. Nao acreditei quando eu vi. Tirei algumas fotos e senti vontade de leva-lo para casa, mas nao cabia nos bolsos, bem grandinho ele.
Nao vai dar para descrever tudo, tanques de guerra muito loucos (um se chama DEVIL), submarinos, e um submarino especial para a criancada, interativo. Adinha, eu entrei e fiquei brincando com todo mundo. Dentro desse submarino ha uns “orelhoes” pequenos que voce fala e sua voz sai em algum lugar ali dentro, eu ouvi uma voz de crianca e comecei a falar com ela, dei uma olhada ao redor, vi um menininho de uns 3/4 anos com seu pai, fiquei conversando com ele e ele achou que estava falando com alguem do submarino, passei umas cordenadas e ele respondia que estava fazendo direitinho, mas ele estava soh sonhando com alguma coisa encantada!
Fui para o 3 andar, Hitler. Uma parte dedicada soh para esse genio malvado. As fotos me deram medo, anuncios em alemao sobre o alistamento, acho que por causa disso eu sonhei estar numa guerra e ter entrado no onibus dos meus inimigos. Passei um medo!
Agentes secretos. Uma area dedicada aos James Bond da vida real. Eles realmente consideram J. Bond, pois ha varias fotos e trechos de filmes rolando lah dentro. Muitas e muitas metralhadoras, e todo tipo de arma estranha. Mas o que eu mais gostei nessa area, foi um computador que simula as fichas dos agentes. Voce clica em abrir e abre um caderninho fazendo barulho de livro antigo, aparece varios nomes, entao voce escolhe e comeca a ver infomacoes sobre a vida dos agentes, nome verdadeiro, nome ficticio, qual era a profissao e qual a profissao do personagem, muito interessante. Uns eram contadores, outros medicos, outros donos de companhias, todos disfarcados, na real, um bando de militares tentando buscar alguma informacao ou preparados para matar uma lista de pessoas. Na ficha tambem tem o que eles conseguiram fazer e como eles morreram, a maioria desapareceu. Muito muito muito curioso.
Saimos e fomos conhecer algumas regioes mais comerciais de Londres. So-ho. Bairro japones, coreano, chines, nao diferenciei muito bem, mas tem de tudo ali, o que mais tem era galera estranha, umas pessoas realmente bizarras, nao esperava tanta loucura.
Passei varias vezes em frente do teatro Palace onde eh exibido Os Miseraveis de Victor Hugo, nao nao, eu nao estava perdido, mas as ruas sao todas muito parecidas e nos andamos em circulos como numa floresta.
Leicester Square, olha esse lugar. Uma pracinha rodeada de edificios maravilhosos, todos cinemas, Odeon. Uma multidao nos esperando, gritando. Num instante imaginei que era comigo, sera que era comigo? Nao. Eram com os carinhas do JackAss. Foi a primeira apresentacao do filme aqui. Uma bando de malucos fantasiados de ursinho, pintinho, banada, privada, todos andando de skate e um num carinho eletrico em forma de vaso sanitario, hahaha. Eles foram embora e comecou a chegar um bando de gente famosa aqui da Inglaterra mesmo. Para mim eles nao passavam de boboes que falam com uma batata na boca, bem vestidos. Nao deu pra ver os malucos do Jack Ass. As meninas todas subiam nas grades e eu nao me esforcei o suficiente. Mas consegui tirar fotos do carrinho de compras de 3 metros de altura, muito loko!
Fui um dia maluko, se eu me lembrar de algo, volto aqui e conto mais, com certeza me lembrarei!
Fui Nessa!

2/28/2003

Resolvi contar o que me acontece por aqui.
Esta tudo indo melhor maneira possivel. PUBs, amigos, ja estou sentindo saudades do povo. Eles nao querem que eu va embora, como voces. Acho que vou ficar por aqui, pois nenhum de meus amigos brasileiros me chamam de volta, e os daqui ficam me dando razoes para ficar. Bem, eh isso, hoje anoite coloco o que me aconteceu pois meu tempo acabou na livraria.
abracos a todos