7/06/2010
Kubrick
Em 1974
a Alemanha segurou.
Em 1978
a Argentina foi a pedra do caminho da vez.
E agora
Ninguém segura Kubrick!!!!
6/15/2010
A Fumaça que te escapa... - resposta
Sabe quando pensamos que estamos indo, e quem vai, na verdade, é todo o resto? Nós só ficamos, somos a sobra... o que nos fica, um sorriso de plástico, uma vantagem módica, um silêncio-pensamento, um sono-tormenta, um olhar-paralisia e um arrependimento que se esconde, esconde, mas que brilha no nosso escuro...Acabo por não saber se isso é o que te ocorre.
Não é comigo...
Não fico pra ver!
Quando o telefone não toca, eu não fico sabendo.
Se o sinal não chega, eu já havia me esquecido...
E o plano não se realiza, ele foi mal feito.
Não valia a pena!
Eu acendo o fogo!
O meu, o de outro.
Acendo o fogo que dói. Queimo o que é sem valor.
E jamais fico.
Sou aquele momento que se perdeu...
O piscar de instante não volta a acontecer!
O detalhe se perde, uma avalanche cai...
Eu sou o que se foi!
Sou!
Eu não estou aqui...
...
Para os que não foram
que aprendam ao menos a ficar...
6/10/2010
Quem se lembra dessa?
Sonambulismo
Sem fúria é o estado. Nem cansaço. Quando nem novidade, nem saturado. Quando na medida exata, com equilíbrio desalentador. O rio que corre tão liso e tem sua superfície fina como fio de navalha, passa sem ser visto, não faz som, seu reflexo não oscila, não atordoa. Não e nem nada.
O homem que se jogou do precipício por buscar algum movimento, mesmo que por breve instante ao fim da vida, está a cair até agora. O abismo não tinha fundo. Mergulhou em monotonia dinâmica. Está a cair. Às vezes ele pensa que não caiu no imenso buraco, de tão parada que é sua queda.
Diversos anjos estavam em uma árvore. Todos pendurados feito maçãs celestiais. Não peguei nenhuma e mordi. Passei indiferente e eles também estavam indiferentes. Maçãs discretas celestiais. Voltei pra casa contei a história, ninguém se assustou. Nem com os anjos dependurados, que é coisa rara hoje em dia, nem com minha indiferença em relação às maçãs angelicais. Desfuriosos. Todos discretos à mesa de jantar.
- Seremos um fio finíssimo discreto a seguir dentro do rio das lâminas, sem emitir som?
- Estamos caindo com o homem do precipício?
- Seríamos inatingíveis, ou já estamos anestesiados?
...
6/02/2010
5/31/2010
Por que perder?
5/26/2010
Metrô amarelo é muuuuuuuuuuuuito chic! É treis chic! Como disse o "franceis"!
Metrô? Retrô? MetrôRetrô?
A nova super estação da novíssima linha amarela do metrô parecia o samba do crioulo doido na tarde de ontem, aqui em São Paulo! Beeeeem lotada na sua inauguração, claro! Você quer ir da Paulista até a Faria Lima? Então desligue o seu celular! Os celulares, dentro da moderníssima linha tecnológica (como são chamadas as estações), não “pega”! Sua internet, não “pega”. Nada pega ali embaixo. Aliás, só o bixo “pega”, e não dá pra correr! Ali nada se mexe, mas também não precisa nem se segurar, o povão apertadinho te segura e ninguém cai! E se a tinta estiver fresca, o povo vai ficar com a mão amarela? Risca!
E, como tudo no Brasil, não podia faltar os confetes caindo do céu, igual a um sonho, e também um maravilhoso sambinha de uma escola de samba amarela! Eba! É festa!!! Por que será que terminaram o metrô em 2010? Por que não fizeram ele inteiro? Entregam qualquer coisa no ano de eleição, "pruquê"?! Ééééé gooool!
O governador Alberto Goldman e o ilustríssimo FHC estiveram ali, mas saíram com seus motoristas quando a portinhola amarela abriu! Zaaaap!!! A multidão entrou faminta de tecnologia, esbarraram na catraca e deram de cara com o “vrido”! Nossa, como fez falta esse “vrido”! Quantas vezes você não ficou com medo de cair na linha da Sé, e ser “atrupelado” por um sem glamour metrô da linha vermelha, na volta do seu trabalho? Se for pra cair, quero cair na ida "pru" trabalho, "pruque" ganhar mal é uma coisa, trabalhar o dia todo igual "u cão" pra cair na volta, é trabalhar de graça, e isso já é "pedidimais"! Gente! O bixo vai vir dirigindo sozinho! Vai sobrar mais espaço pro povo, vai dá pra ir na cabine por 3,65?
Como se não estivesse tão atrasada, a tal da “entrega” do metrô, a inauguração teve mais uma espera de 1h30, com uma multidão se aglomerando na portinhola amarela! iiiiiiiirrrrruuuuu!!! "Pruuuuuuquê"? Pra andar de uma estação a outra (uma estação literalmente)? Ééééé gooool! As próximas duas vão ficar prontas em breve, pontuais como essas duas primeiras. "Quidilíça"!
Pelo menos aqui não é Salvador, que tem praia e uma construção de metrô de 12 estações com orçamento de 500 milhões, mas que foram construídas apenas 6 estações, e ainda não entregues (metade construída, nada entregue, não confunda). Isso mesmo! A empresa que venceu a licitação vai pedir outros 500 milhões, no mínimo, pra terminar a obra que deveria ter terminado há anos, utilizando esse primeiro meio bilhão! Como dizia meu ex editor-chefe patrão chefão, “Jesus, apaga a luz”!
E o Trem-Bala, será que vai ter sabor tutti-frutti e um papel bonitinho???
risquetudonãoapague
5/25/2010
Telefone do DETRAN - São Paulo
Eu sei, você deve estar desesperado e com uma raiva do tamanho da safadeza deles. Eu também fiquei. O DETRAN não disponibiliza o principal endereço, nem de longe fornece os telefones de contato, daí, se você aparece lá, eles falam que é em outra unidade, ou que você deve fazer uma lista de coisas antes, pra depois disso, eles dizerem que ainda falta uma coisa ou outra...
Mas aqui segue o contato, endereço e site. Aliás, no sítio digital desta empresa Pública, tem vários outros endereços, mas ninguém sabe qual a função de cada unidade. Mas é óbvio que eles não vão atender o telefone...
Chega de enrolação.
A ajuda chegou!
Telefones e endereços do Detran de SP.
Telefone do DETRAN de São Paulo - SP
Contato DETRAN
Endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301
CEP: 04094-901 – São Paulo
Telefones: (11) 2189-9800, 2189-9801 e 2189-9802
Site: www.detran.sp.gov.br
Queimem o serviço público!
4/13/2010
Adotem esse cachorro - adota-se cachorro de porte médio - adoção de cachorros - cães - adote um cão
Olá, pessoal, tudo bem?
Bom, fui gravar um comercial ontem e encontrei um cachorro, de porte médio, um ano e meio, mais ou menos, lindo, mansinho, dócil, bem carentão mesmo. Daí voltei lá e busquei o cachorro, levei no veterinário, deram vermífugo, deram a vacinação completa, banho ele ficou bonito e cheiroso. E como eu moro em apartamento e tenho um cachorro pequeno, salsichinha (e bravo, de verdade!) não posso ficar com ele, infelizmente!
Urgente amigos, não percam tempo, dêem uma força, repassem!
Ele ganhou o nome de Zezão, mas você que adotar pode dar o nome que quiser. O Zezão é um companheirão! Doce, calmo, carente, carinhoso, daqueles que deitam de barriga pra cima pra você fazer carinho, e mesmo assim foi abandonado na Vila Madalena, uma senhora me disse que viu um carro chegando e deixando o cachorro há alguns dias lá na praça. Agora ele precisa de um lar!
9/13/2009
Dúvida: a Maldição do Homem! - mas não é certeza...
Quando não se tem inspiração...
Quando o trabalho te transforma em um objeto mais duro do que aquilo que você já é...
Quando você tosse, tosse, tosse, e não sai nada, e nem engasgado você está,
Quando nem desanimado, nem empolgado...
Quando tão neutro, tão neutro, que nem ofender alguém você consegue, pois acha isso injusto (tão sem charme esse sentimento), ou desiste da ofença porque tem muita preguiça (essa é ótima)...
Quando estiver assim, eu te darei um conselho, pode apostar!
Eu te direi e-x-a-t-a-m-e-n-t-e o que fazer, mas tenha uma certeza, tenha certeza daquelas que de tão falsas são absolutas:
- O meu conselho será caríssimo! E não garanto que irá funcionar com você, pois não conheço nenhum de seus crimes, e não saber dos crimes de um homem, é saber nada sobre ele!
8/24/2009
Ao sair de Roma...
Desde quando você precisa disso? Já falei pra você, o jogo não é esse. O que faz de você tão diferente, se for muito acentuado, se for demais ensaiado, perde a naturalidade e vai te abandonar. Você é a força da natureza explodindo a cada segundo. Sei da natureza inconstante, mas será também que se dissimula nas artificialidades? Você é tão natural enquanto dorme. Preste mais atenção no seu dormir, é assim que você era. Tão forte, sua voz, seu ar, os furacões que saem de você enquanto respira. Senti-me envergonhado. Depois que se mudou de endereço, nunca mais te encontrei. Mesmo nos seus convites... Não parecia você. Seu cabelo, suas cores.
O jogo não é esse, mas parece que você deixou seus brinquedos nas gavetas de sua antiga cômoda. Mudou-se de casa. Acredito na sua belíssima mudança. Seu novo poder, sua nova pose. Seu corpo adquirido pelo tempo. Parece que cresceu. É óbvio o seu tamanho. Os salões se abrem para você. - Já previ tudo isso.
Não quero estragar seus dias, inventar histórias para você correr, deslizar, enlouquecer, arremessar suas coisas na parede. Vou partir de Roma, vou embora, levar todas as coisas, jogá-las fora, queimar, atirar tudo pela janela, mas levarei comigo algumas fotos. Irei para longe de Roma. Não! Eu rasgarei todas as fotos, e as lembranças, mesmo as por mim apagadas em um ataque súbito de fúria, como os furacões raros...
As lembranças apagadas eu as verei às vezes, mas será como assistir a um filme antigo, quando sinto saudade do que nunca vivi. Olhando os pedaços de fotografias juntados naquela hora humilhante que ninguém pode nos ver. Aquela hora que não somos nós mesmos, ajoelhados no chão a juntar cacos, na hora em que deixamos de ser os filhos da Natureza Inquieta. Olharei o filme antigo e sentirei saudade, vou pronunciar bem baixinho as falas dos atores, repetindo como se fosse comigo, imaginando o que nunca foi.
Quando eu resolvi fazer esta viagem eu já sabia o que estava por vir. Mas quem pode, ao ter conhecido o futuro através de uma cartomante ousada, resistir à tentação de se entregar ao próprio destino?
Você nasceu para ter quase infinitas experiências. Dentre elas, os seus limites ainda se formam, mas ainda faltam seus medos surgirem, falta tanto de muito, falta ainda o mundo te jogar alguma sujeira na sua pele branca e lisa. Falta ainda mergulhar em alguma água escura, cometer crimes sigilosos. Falta você perder o que tem de mais caro. Falta ser descoberta.
Meus terremotos, sopros, minha Natureza Arredia e Violenta não pode mudar o seu curso suave, delicado e contínuo. Posso fazer meus raios tão brilhantes e atraentes, cortantes e maus, descargas elétricas alucinantes, tormentas, vulcões ácidos e corrosivos, tendo a certeza que tudo isso te arrebatará e te arremessará, posso arranhar sua pele, seu sono, mas eu só estaria apressando sua saída das minhas Terras, meu pequeno riacho, cujas águas ainda vão molhar diversas planícies, ainda vão se secar em terreno árido, pedir por alguma chuva, ainda transbordarão e se sujarão, antes, muito antes de encontrar minha tempestade novamente, se eu ainda for um Elemento da Natureza.
Eu fiquei envergonhado quando passei perto de você. Vim caminhando em sentido contrário e não acreditei no que estava vendo. Aquele seu vestido lindo... O mundo ficou reduzido, o mundo todo cabia em qualquer casca de noz, naquela hora entendi como ele cabe em algo tão pequeno. - Meu Pequeno Mundo Reduzido. Quando passei ao seu lado não te olhei. Não era um jogo, era uma tempestade gelada com uma aparência de infinito rubor. Acredito que você deva ter sentido um ar mais quente, uma brisa de calor que saiu de meu rosto corado. Seu sorriso estava ainda mais jovem, parecia o primeiro sorriso de alguém que nasce para algo. Seu sorriso me ofuscou. Você não me viu. Não poderia jamais me enxergar. Ficaria imperfeita se me visse. E eu resumido. O calor de meu rosto corado tocou sua pele. Você sentiu, eu percebi. Nossos corpos por pouco não se esbarraram. Quase nos encostamos. Quase sentimos o cheiro um do outro. Por um pequeno segundo, quase... Quase, quase nos tocamos...
Passei e não olhei para trás. Duas ondas tão grandes se colidiram em outro lugar.
Assim fui embora para sempre de Roma. Mas aquele vestido ficou tão lindo em você, e o seu sorriso...
Alex Wildner ao som de Sufjan Stevens.
Em um dia de inverno chuvoso, enquanto ele ainda é jovem.
Em um dia de inverno chuvoso, enquanto ele ainda é jovem.
Se não chovesse tanto, se não estivesse só,
se não tocasse Sufjan Stevens,
Tudo estaria diferente...
se não tocasse Sufjan Stevens,
Tudo estaria diferente...
8/11/2009
Veuve and Bourb - A(s) Receita(s)...
Para pouco mais de 2 mol de leitores (7% da média total) que pediram para eu publicar a receita na internet, aqui vai, vinda diretamente da República Tcheca, de um querido que faz tanta falta, que faz tanta falta, que eu não sei mais nada... Enfim, logo nos veremos, e para nós, solitários nos modos, estilos e alma, um brinde!
“Querido Alexxx,
Seguem abaixo as versões mais importantes do Veuve and Bourb que eu digitei com um sorriso no rosto e muito carinho para você e os seus, divirta-se:
Versões de Veuve and Bourb:
1) De primeira classe: Você com grana, ou tipo uma festa da Dior no Hotel Fasano:
- Em uma taça flute - daquelas altas e magras - sirva 3/4 de Veuve Clicquot geladíssima e complete o resto com qualquer Bourbon (Four Roses ou o bom e velho Jack Daniels).
2) De classe econômica: Você com grana, mas nem tanto ou tipo festa de casamento de uma prima bacana:
- Em um copo de vinho sirva 2/3 de um bom espumante gelado (Chandon Brasil ou qualquer outro vinho de qualidade, mas que seja seco, Brut - para minimizar a ira do inferno) complete com um Bourbon - de preferência - ou o melhor Whisky que houver na casa - usei um Johnny Walker naquela noite, por exemplo.
3) Viajando no compartimento de bagagens e sem passaporte: Você com a grana da balada contada e o passe de metrô na mão, ou tipo reunião de estudantes na rodoviária do Tiete, ou em alguma estação na ultra Zona Leste:
- Em um copo, caneco ou vasilhame limpo, sirva 1/2 de qualquer vinho que fizer espuma (com ou sem chacoalhar, tipo Cidra da Cerezer pra baixo) que esteja frio ou na temperatura ambiente - quente não vale, mas pode botar um gelinho.
Preencha a outra metade com o destilado que mais lhe lembre Whisky (Uísqui, céus!) na cor ou sabor, de preferência ambos (um Teacher's ou Passaport pra baixo). Se você decidir não amarrar, não se esqueça de segurar bem o tchan!
A mistura de drogas com essa bebida não é aconselhável, mas se der muita vontade, pode meio Valium, dos de baixa dosagem, Lexotan nem pensar!
Lembre-se de ficar perto de um sofá bem macio.
Se o negocio é querer dar uma energizada, um Red Bull antes e outro depois podem fazer O truque, nem vou mencionar remédios ou drogas nesse caso - se bem que um Reductil deve dar uma turbinada.
Antes de beber, claro, faça um sinal da cruz e peça perdão a mãe natureza por ir contra todas as suas regras no que diz respeito ao consumo exagerado de bebidas alcoólicas.
Servindo essa bebida, não faça muita propaganda, nem ofereça muito, lembre-se que as pessoas vão acordar no dia seguinte e se lembrar de que começaram a noite na sua casa - portanto, que esse não seja o primeiro drink da noite! Eu recomendo no mínimo uns dois Dry Martinis e uma primeira taça de champagne antes de entrar no Veuve and Bourb.
Para os corajosos, é claro, pode mandar de prima e não precisa (aliás, e é até melhor) não ter jantado/almoçado antes. Por ética não incluí o café da manhã no hall das refeições, sendo que quem encara um drink pela manhã, geralmente não está a par da sequência e horários das refeições do dia.
Mande brasa e me conte tudo!
Um super abraço,
J.J. Marcondes"
8/07/2009
Un po' di piccola Gratitudine
Hoje em dia recebo, mês sim, mês não, agradecimentos, champagnes, garrafas de gin e vinho, dos professores que eu tanto briguei e provoquei durante minha graduação, há tempos encerrada.
Hoje me agradecem.
Eles me agradecem. Todos. Sentem minha ausência, não por causa da minha saída pela ribalta, por eu ter terminado a faculdade e estarem livres do pequeno demônio desafiante, mas por terem sido estimulados, tão causticamente, como poucas vezes foram obrigados a trabalhar e repensar seus formatos tão severa e rapidamente.
São gratos.
Se tiverem a oportunidade de escolher como serão reconhecidos, optem por ser o incômodo.
O Gênio. O Sábio. O Belo. O Astuto. O Achaque. A Doença. O Mal. O Incômodo.
Todo Incômodo tem seu Talento.
Como seus corpos optam pelo vírus.
Fico feliz por vocês!
Pensaram mesmo sem querer, sem terem planejado.
Sem preparo. Não são todos que têm esta sorte.
Mas não mais me chamem de demônio, por gentileza, assim vocês acabam ofendendo todo um inferno. Desnecessário, e isto pode ser gratuitamente sério!
A deus!
7/20/2009
Veuve and Bourb
E do alto do lugar para onde sempre se mudam, e se encontram por escolha própria, eles abrem duas garrafas, Veuve and Bourbon...
Não será necessário descrever esses meus queridos colegas, sua essência vai dar o ponto exato do fogo. Sem mais, sem menos. Um tanto que nunca se viu.
-Por isso eu sou assim, me mudo sempre para o mesmo lugar... A diferença entre fazer o que quer, e ser dependente de alguma coisa...
Na verdade eu usei sim. Esses entorpecentes compráveis com receitas médicas chiquérrimas são péssimos! O único excesso que esses pequenos comprimidos possuem é que são suaves demais. Quando estou fraco, tudo bem, acabo por me perdoar sempre!
- Estar deprimido hoje em dia é viver a realidade!
Pausa pequena. Gole.
- Não se diz por aí, mas depressão é o estado mais sincero que um ser humano pode viver. Olhando o mundo atual, é totalmente cabível!
- Acho que vamos ser enforcados se continuarmos com isso!
Pausa. Pensam na forca. Riem.
- A depressão deveria ser mais bem aproveitada, e não ser combatida. Acredito que é exatamente por isso que ela sempre volta...
Gole.
- Porque foi expulsa?... Eu já escrevi algo sobre isso em um texto, concordo. Fugir do entregar-se. Ser expulso de algum lugar sempre dá mais tempero às coisas. Também voltaria se eu fosse uma depressão, mesmo que das vulgares.
Olha para alguém.
- Veuve and Bourb, por gentileza!
A taça vai sendo preenchida.
- Impossível não olhar para os gestos das pessoas e não se deprimir. Então outras pessoas, deprimidas também, claro, mas muito bem remediadas, lidam com aqueles deprimidos como se esses tivessem um defeito, ou pior, como se fossem um problema. Aí é sempre a mesma novidade. Você viu aquele diretor? Nossa! Depois do rompimento com a esposa, e aquele designer de interiores, vive viajando, a esposa dele, dizem, sumiu com outro! Ela está morando duas quadras pra baixo da Louis Vuitton... coitados!
Pensam na situação um pouco...
– Coitados? Tenho pena deles, voltem logo para seu zoológico! Sua jaula já está limpa!
Riem mais! E Veuve and Bourb!
Obviamente com mais um pouco disso eles virariam astros!
- Meu amigo falou que não lava mais a própria roupa, e nem deixa ninguém lavar! Pois “elas tem o cheiro de onde ele foi”...
– Interessante!
- Claro que eu perguntei porque e para que ele ainda usava roupa, pois se for para não lavar, então é melhor nem usar! As roupas foram feitas para serem todas guardadas, você já sabe disso!
- O que ele disse?
- "Eu uso roupa para as pessoas não me verem..."
- Perfeito! Este é um exemplo de se utilizar bem uma bela depressão!
Este seu amigo vai longe!
- A última pergunta que ele me fez foi uma bem simples. Por que as pessoas não olham pra mim, amigo? ... O que se responde em uma hora dessas já está na ponta da língua!
- Ah, sempre essa! Claro, depois de enforcado um defunto sempre muda de opinião! Mas o que você disse?
Enchem mais uma taça de Veuve...
Pausa. Quase parecem esquecer do que falavam.
Mais pausa.
De súbito retornam.
-Eu fiquei espantado! Então disse-lhe: "Sério? Quer saber? Você tem sorte amigo, sorte por não ser visto!!! Mas conte-me um segredo, estou ansioso para saber, não vejo a hora de aprender esta magnífica habilidade, o que você fez para ficar invísivel?"
- Notável, notável! E ele respondeu?
- Claro que não, este é o seu maior segredo, ele só falaria por um preço muito alto!
- Preço ou valor?
- Preço... Sobre os valores falaremos outro dia, quando não bebermos Veuve e não estivermos na sombra...
.
3/05/2009
Até onde ela vai?
Será que a poderosa e sem precedentes crise afetou o universo dos pedintes?
Nietzsche disse, eu acho, na verdade me disseram, que quem não tem nada não pode perder coisa alguma, por razões óbvias, mas e agora? E quem não tem nada e recebe de quem tem, como vai receber se os que tem não tem mais?
Vou perguntar para os mendigos sobre a crise e logo trarei a resposta...
2/19/2009
O que importa é o que vem em sequência!
O que me importa? Eles estão todos loucos correndo de um lado para outro? E nem loucos são!
Esses cristais tão belos paradinhos. Metais. Pedras. Pedrinhas no sapado, nem tão grande a ponto de me fazer tropeçar, nem tão pequenos a ponto de perfurar minha pele...
Pedras, e nem no caminho estão.
Estou sim, soterrado, mas de respiração e ímpeto.
Joguem terra por cima de mim, preciso descansar um pouco...
Amaldiçoado! Que me joguem as pragas, por gentileza!
Xingado! Isso sim, isso, eu preciso de auto-estima amigos,
xinguem.
Sufocado? - Claro! Mas quem precisa respirar?
Deixo aqui o meu aperto de mãos!
Do mais que insuportável,
Alex Wildner
...
2/09/2009
Será que a revista me enganou?
Eu não acreditei no que está escrito, serei excluído da sociedade?
Semana que vem terei mais o que ler, mas e se eu não acreditar nas palavras da próxima edição? Serei excluí... GLUPT!
1/12/2009
Olhar de semi instante
Claro que sou bonzinho, mas também sou navalha afiada!
Nas minhas palmilhas piso sobre umas pedrinhas pequenas, quase invisiveis, tenho também um código mágico de uma porta secreta que se abre quando somem as saídas, é a porta de um submarino!
Ah a fumaça do momento...
Caminhando num bairro de São Paulo, esbarrei em uma baixinha loira, ela falou umas palavras que seriam estranhas se não fossem de uma língua que é minha conhecida, daí uns caras enormes me olharam, mas eu dei somente um semi instante de olhar para eles, ainda de lado e de saída, algum ar saiu do meu nariz em uma respiração de minúsculo desprezo ou deboche. Ela se irritou com esse meu gesto tão comum.
Depois disso parei em um bar. Várias pessoas conversando, gente bonita, sorrisos, corpos, peles, olhos, lábios, gargalhadas, olhares, roupas bacanas e cheias de tarjas de nomes italianos, franceses, americanos, Calvins e Ralphs, Giorgios e Christians, Dolces... enfim, fiquei poucos minutos ali porque não havia nada de interessante pra fazer nem olhar. Antes de sair do jetset um gigante me segurou pelo braço, que eu deixaria pra ele de presente se eu não tivesse apenas dois braços, mas tudo bem, ele quis saber quem eu era, o que fazia e por que eu era “assim”. Assim como cara? Aff... se solta de mim... Ele insistiu em mim e ainda me disse que “ela” queria me conhecer. A minúscula loira, cantora marombada e viciada em kabala iria para outro bar por ali, me convidou pra ir...
Mais alguns passos e eu já estava em cima da minha moto, andei por um tempo até chegar na casa de um amigo. Quando vi já tinha sido, a Madonna já deveria ter virado abóbora, mas amanhã eu encontro meus primos, e vamos nos divertir. Se eu sentir saudade da cantora eu baixo um mp3 dela, qualquer será suficiente.
Fumaça do momento...
mas desta vez era o resto de minha saída.
Sussurro do silêncio.
...
12/02/2008
Eu não fui, não vou, não irei
Eu não fui, não vou, não ireino show da MADONNA, serei excluído da sociedade?
10/08/2008
Sonambulismo
Sem fúria é o estado. Nem cansaço. Quando nem novidade, nem saturado. Quando na medida exata, com equilíbrio anti-zen desalentador. O rio que corre tão liso e tem sua superfície fina como fio de navalha passa sem ser visto, não faz som, seu reflexo não oscila, não acalma, não atordoa. Não e nem nada.
O homem que se jogou do precipício por buscar algum movimento, mesmo que por breve instante ao fim da vida, está a cair até agora. O abismo não tinha fundo. Mergulhou em monotonia aerodinâmica. Está a cair. Às vezes ele pensa que não caiu no imenso buraco, de tão parada que é sua queda.
Diversos anjos estavam em uma árvore. Todos pendurados feito maçãs celestiais. Não peguei nenhuma e mordi. Passei indiferente e eles também estavam indiferentes. Maçãs discretas celestiais. Voltei pra casa contei a história, ninguém se assustou. Nem com os anjos dependurados, que é coisa rara hoje em dia, nem com minha indiferença em relação às maçãs angelicais. Desfuriosos. Todos discretos à mesa de jantar.
Seremos um fio finíssimo discreto a seguir dentro do rio das lâminas sem som sem cintilar?
Estaremos caindo com o homem do precipício?
...
9/28/2008
Apogeum
Ele - Você acredita em espíritos? Se aparecesse um aqui...
Ela - Se um espírito aparecesse, e viesse falar comigo, bom, primeiro que eu acho que ele não viria, por que se interessaria em falar comigo? Segundo que ele deveria ser bastante breve, pois eu não tenho muito tempo...
Passa o tempo com eles se olhando e rindo.
Ele - Por que você nunca comenta o que eu escrevo?
Ela - Claro que comento...
Ele - Para falar que gostou ou não, nem é preciso ler, é só falar que sim ou que não...
Ele joga uma caixa de fósforo nela.
Ela joga a caixa de volta nele.
Ele coloca um cigarro na boca, e acende um fósforo. Não acende o cigarro, ela olha para o palito aceso, o fogo vai queimando e percorrendo o palito de madeira, o fogo se aproxima da mão dele, que olha pra ela, mas não acende o cigarro.
Ela - Você não vai acender?
Ele - É só pra testar sua paciência (e a ansiedade do público).
Em tom irônico de brincadeira, como um personagem:
Ele - Então vamos falar de você!
Ela - De você, você quer dizer não é?
Ela - Você é 99% chipanzé ou 90% rato?
Ele - Não é 99%, é 98%!
Ela - É tudo a mesma coisa!
Ele - Então se, entonces, 98 é igual 99, todos os números são iguais... o que você fez em 98?
Ela - Lá vem você com sua birradedetalhes...
Ele - Não é birra!
Ela - A gente está falando de porcentagens.
Ele - Então tá, se 98% é igual a 99% somos todos chipanzé, 99% é igual a 100%! Já que é só 1% mesmo...
Ela - Pára com isso. Você bebeu cocacombaba?
Ele - Sempre que alguém bebe coca na latinha, volta uma babinha pra lata, daí todo mundo bebe cocacombaba!
Ela – Tá bom, eu sou um rato, pronto!
Ela - Se um espírito aparecesse, e viesse falar comigo, bom, primeiro que eu acho que ele não viria, por que se interessaria em falar comigo? Segundo que ele deveria ser bastante breve, pois eu não tenho muito tempo...
Passa o tempo com eles se olhando e rindo.
Ele - Por que você nunca comenta o que eu escrevo?
Ela - Claro que comento...
Ele - Para falar que gostou ou não, nem é preciso ler, é só falar que sim ou que não...
Ele joga uma caixa de fósforo nela.
Ela joga a caixa de volta nele.
Ele coloca um cigarro na boca, e acende um fósforo. Não acende o cigarro, ela olha para o palito aceso, o fogo vai queimando e percorrendo o palito de madeira, o fogo se aproxima da mão dele, que olha pra ela, mas não acende o cigarro.
Ela - Você não vai acender?
Ele - É só pra testar sua paciência (e a ansiedade do público).
Em tom irônico de brincadeira, como um personagem:
Ele - Então vamos falar de você!
Ela - De você, você quer dizer não é?
Ela - Você é 99% chipanzé ou 90% rato?
Ele - Não é 99%, é 98%!
Ela - É tudo a mesma coisa!
Ele - Então se, entonces, 98 é igual 99, todos os números são iguais... o que você fez em 98?
Ela - Lá vem você com sua birradedetalhes...
Ele - Não é birra!
Ela - A gente está falando de porcentagens.
Ele - Então tá, se 98% é igual a 99% somos todos chipanzé, 99% é igual a 100%! Já que é só 1% mesmo...
Ela - Pára com isso. Você bebeu cocacombaba?
Ele - Sempre que alguém bebe coca na latinha, volta uma babinha pra lata, daí todo mundo bebe cocacombaba!
Ela – Tá bom, eu sou um rato, pronto!
26 pra 27 de setembro
Alex e Lara num fim de sábado
Alex e Lara num fim de sábado
9/23/2008
Putz
Em um infértil futuro, logo alí, as grandes corporações se uniram formando poderosos e necessários conglomerados.
Episódio de hoje: Cinemark e Bombril.
- que cheiro é esse?
- é pipoca sabor pinho-sol.
- aff...
- meu, eles me ofereceram pipoca sabor pinho-sol!
- e daí?
- que eu faço?
- como assim?
- eu devo aceitar?
- por que não?
- meu deus, nunca comi isso!!!
- pipoca?
- não, pipoca sabor pinho-sol!
- então come!
- mas se eu morrer?
- não morre...
- como você sabe?
- então não come.
- e se eles forem me matar se eu não comer?
- você vai morrer de qualquer jeito.
- meu deus, pra que inventaram isso?
Vemos anúncios ou pessoas bebendo coca-cola, esse xarope com gás, diariamente, daí ficamos nos perguntando; - pra que inventaram isso?
¿No te preguntas a ti?...
Alex entrou no escritório
e sentiu forte cheiro de pinho-sol.
"- Que cheiro é esse?"
"- Acabei de fazer pipoca", outro disse...
e sentiu forte cheiro de pinho-sol.
"- Que cheiro é esse?"
"- Acabei de fazer pipoca", outro disse...
9/18/2008
Anti-fluxo
...
Antes sol
- Seguir no contra-fluxo?
Talvez arriscar ou fazer o proibido... mas o contra-fluxo ainda é delicioso.
Aquele lado vazio da avenida, e o outro abarrotado, congestionado como nariz gripado.
Avenida gripada de carros, motos, negros, brancos, loucos, brochas, bichas, repórteres, ambulâncias, policiais, mulheres, altos, médicos, gerais, índios, descendentes de alguém ou de outro, cafetões, viciados em remédios ou auto-ajuda.
Eu e meu lado sadio da avenida, deliciosos silenciosos.
Ah! que charme ter um carro antigo, ou uma moto daquelas retrôs. Mas desde que os outros tenham outros veículos bem modernos. Lisos brilhantes rápidos silenciosos discretos. Todos iguais. Ah! O meu carro antigo. Ah! Minha moto custom classic chopper. Uma Marylin Monroe nos dias de hoje, porque ser como esta popstar sendo contempoâneo a ela, era ser o fluxo.
- Olha lá! Olha quem passa daquele lado da avenida, abarrotado, de vidro fechado e parcialmente confortável ofuscado! Quase felizes! Aparentemente felizes! Ok! Felizes! Sem mágoas, tá?
Mas quem vai do contra-fluxo para o fluxo passa por uma trajetória dolorosa.
Os que andam no contra-fluxo da avenida têm ousadia e charme, conversa intrigante e engraçada, cheia de paradoxos, confusa e que faz você ficar pensando em algo e com um leve sorriso, depois de ouvir um pensamento em uma mesa de bar.
- Irônico, obrigado!
Mas a indústria do mercado do fluxo, quantas assessorias pra tudo!!!
Quem nunca conheceu a literatura que a deixe partir!
Mas quem vai ... trajetória dolorosa.
Leia tudo ou nada. Destrua o que não foi feito, mas não desconstrua a parede sólida e delicada criada com tijolinhos pequeninos e duríssimos.
Descem enxurradas de popularidades vulgares e superficiais.
Arrancam pedaços e aos despedaços vão descendo embalados e abarrotados pelo outro lado da avenida. Tudo quase tão simétrico.
Isso não seria de tal modo terrível... Se hoje eu não estivesse do lado de lá.
A roupa impermeável começa a ter infiltrações, escorrega pra dentro pelas mangas essa água louca. Tocam os tambores em silêncio. Escorre por todas linhas da minha capa essa água louca. Eu estou surdo.
Daí a descontrução das coisas,
o orgulho do anti-fluxo.
Dói a desconstrução das coisas.
Discorrendo sobre a inveja - Alex Wildner
18 de setembro de 2008
Antes sol
O que é mais delicioso que atravessar uma avenida em uma faixa, seguir reto de carro, e ver ao seu redor todos aqueles carros ficando para trás, somente a sua fila andando fluentemente?
- Seguir no contra-fluxo?
Talvez arriscar ou fazer o proibido... mas o contra-fluxo ainda é delicioso.
Aquele lado vazio da avenida, e o outro abarrotado, congestionado como nariz gripado.
Avenida gripada de carros, motos, negros, brancos, loucos, brochas, bichas, repórteres, ambulâncias, policiais, mulheres, altos, médicos, gerais, índios, descendentes de alguém ou de outro, cafetões, viciados em remédios ou auto-ajuda.
Eu e meu lado sadio da avenida, deliciosos silenciosos.
Ah! que charme ter um carro antigo, ou uma moto daquelas retrôs. Mas desde que os outros tenham outros veículos bem modernos. Lisos brilhantes rápidos silenciosos discretos. Todos iguais. Ah! O meu carro antigo. Ah! Minha moto custom classic chopper. Uma Marylin Monroe nos dias de hoje, porque ser como esta popstar sendo contempoâneo a ela, era ser o fluxo.
- Olha lá! Olha quem passa daquele lado da avenida, abarrotado, de vidro fechado e parcialmente confortável ofuscado! Quase felizes! Aparentemente felizes! Ok! Felizes! Sem mágoas, tá?
Mas quem vai do contra-fluxo para o fluxo passa por uma trajetória dolorosa.
Os que andam no contra-fluxo da avenida têm ousadia e charme, conversa intrigante e engraçada, cheia de paradoxos, confusa e que faz você ficar pensando em algo e com um leve sorriso, depois de ouvir um pensamento em uma mesa de bar.
- Irônico, obrigado!
Mas a indústria do mercado do fluxo, quantas assessorias pra tudo!!!
Quem nunca conheceu a literatura que a deixe partir!
Mas quem vai ... trajetória dolorosa.
Leia tudo ou nada. Destrua o que não foi feito, mas não desconstrua a parede sólida e delicada criada com tijolinhos pequeninos e duríssimos.
Descem enxurradas de popularidades vulgares e superficiais.
Arrancam pedaços e aos despedaços vão descendo embalados e abarrotados pelo outro lado da avenida. Tudo quase tão simétrico.
Isso não seria de tal modo terrível... Se hoje eu não estivesse do lado de lá.
A roupa impermeável começa a ter infiltrações, escorrega pra dentro pelas mangas essa água louca. Tocam os tambores em silêncio. Escorre por todas linhas da minha capa essa água louca. Eu estou surdo.
Daí a descontrução das coisas,
o orgulho do anti-fluxo.
Dói a desconstrução das coisas.
Discorrendo sobre a inveja - Alex Wildner
18 de setembro de 2008
9/17/2008
9/15/2008
eu não sei colocar foto nesse negócio aqui
Eu digo em som meio abafado por segurar um cigarro na boca, meio no canto. No meio não, no canto:
-Eu não sei colocar foto nesse negócio aqui!
Enquanto eu vejo todas as revistas bombando de fotografias, mulheres, homens, praias, carros, pessoas famosas e ricas, políticos no meio de um discurso clicados naquele instante por alguma intenção jornalística, todos congelados pela fotografia, o meu blog vai se tornando mais chato. Sem fotos e mais chato. Insuportável. Na verdade eu não entraria aqui se este fosse de outra pessoa. Ele é inútil.
Mas eu te agradeço por ter lido. Só peço agora a gentileza de me escrever e explicar, já que você é tão paciente, porque você leu isto e aponte os pontos positivos e negativos, explique também o que e como você estava buscando isso que buscava, mostrando passo a passo como veio parar aqui e ao final disso, escreva uma breve redação dissertativa expondo seu ponto de vista político-econômico tendo em vista o descaso humano com o meio ambiente e com o próprio humano com a política, da parte dos eleitores, e com o meio-ambiente, da parte dos governantes. Cuidado, somos uma empresa de direita, só não vou falar direita de quem...
"e ao fundo ouve-se uma risada sinistra"
Pronto, é assim que se sente um cara entrevistado pelo RH de uma grande corporação, ou por uma de médio porte com ânsias ansiosas de ser grande.
eu não sei colocar foto nesse negócio aqui
eu nao sou fumante
eu não caio com tequila
eu não sei html
eu não bebo tequila
Já já eu volto para escrever algo mais nessa publicação.
1/25/2008
Posso acreditar em mim?
Que preguiça.
Hoje estou exausto. Não escrevo porque estou exausto.
Vou deixar praoutro dia.
Deixo praamanhã quandoacordar praescrever. E amanhã eu vou pensar por que é que eu não escrevi ontem? que é hoje.
Assim eu deveria escrever hoje.
Mas amanhã eu nao estarei tao cansado, aposto.
E assim vou protelando meu sucesso.
É sem vergonhice mesmo!
11/20/2007
Lá do fundo da gaveta vêm as teias, mas já sem as aranhas...
Há alguns anos...
Pedra dos Tempos
Tempo!
“Nessa chuva de desafetos, dissolvem-se belezas, e as vãs alegrias, pois o belo por essência é em pedra esculpido, não em barro moldado!” – Não sei de quem. Meu? Não sei mesmo!
Um hippie disse assim:
“A essência perfuma a flor
pois as aparências
perdem-se
com a chuva
do tempo...”
E me vendeu um incenso de rosas selvagens.
Daí eu:
Numa noite sem medos
joguei uma pedra na vidraça...
Quebrei meu reflexo!
E ainda refletia...
Mil de mim, em mil partes dela
Mostrei quem era mais duro...
Intacto, eu mudei o mundo!
...
10/25/2007
Escravos da convenção
Quase inevitável tempestade
A enxurrada o arrasta, o contamina, surge de súbito um tronco flutuante e o derruba.
Desgovernado.
Levanta.
Caminha nessa enxurrada. Essas chuvas... Mas desta vez está longe demais de outro alguém, seu braço não o alcança, sozinho...
Pensa em desistir, mas sua história grita. Mantém-se firme. Difícil desistência.
Mãos cortadas. Aquele aglomerado de cacos, galhos, lixo, sujeira, água opaca. Tudo vindo desabando.
Um suco urbano.
Muito trágico.
Desligou a TV.
Sua dose diária estava suficiente. Mas foi realmente atingido pelos troncos, aranhado pelos invisíveis galhos da corrente de água escura.
Angustiado.
Pensou na morte. Depressão de se viver num mundo tão ingrato.
Divisões e interesses. O poder disfarçado. Declarado.
O discurso aberto da arrogância.
Estava realmente mal nesse dia. Nenhuma nuvem poderia ser tão escura.
Obscuro.
Visões multidão solitária caminha.
Aglomerados de pernas em fila.
E vultos vãos vagam pelo velho mundo. Vazios.
E o Novo, plácido; a decadência, o passado em ruínas; o próprio presente.
Vazios em fila. Lentos.
Mas não pense que ele foi sempre assim.
Se tivesse locado um lançamento na Blockbuster, visto o doce final feliz, estaria alegre e crente.
Quase satisfeito.
Algo aconteceu na minha cidade nesses dias.
Política, crime, tráfico, chuvas.
Chuvas?
Mas eu sou brasileiro.
Já esqueci.
8/13/2007
Dentre elas, entre delas...
Gênero poesia
O Teatro Invertido, a Poesia Inventada
Mais que outra arte cinética, mais que outra arte talhada
O ator tem seu momento
Apenas instante
que toma para si
só para si
interminável andamento
O poeta é eternizado
sem seu momento
Eterno
no universo perpetuado
Enquanto palco iluminado
aplaudido
em vaias
estiver acalorado:
Ator protegido
Poesia escura
quarto abandonado
estômago dolorido
coração cem partes
sem luz, frio:
Poeta legitimado
Estarão sempre
por todo segundo
em plena luz da arte
Preservados
Mas se o papel invertido
ator abandonado
poeta aplaudido
será então o homem
público, coitado
para sempre partido
mais que isso
condenado
a vagar na superfície insegura
dos que não são
dos que não foram
serão presos amarrados
Quando de papéis trocados
de volta ao início
para sempre partidos
sem arte
só ofício
do trabalho o artifício
Eis a arte, o ato, destruídos.
Poesia escura
quarto abandonado
estômago dolorido
coração cem partes
sem luz, frio:
Poeta legitimado
Estarão sempre
por todo segundo
em plena luz da arte
Preservados
Mas se o papel invertido
ator abandonado
poeta aplaudido
será então o homem
público, coitado
para sempre partido
mais que isso
condenado
a vagar na superfície insegura
dos que não são
dos que não foram
serão presos amarrados
Quando de papéis trocados
de volta ao início
para sempre partidos
sem arte
só ofício
do trabalho o artifício
Eis a arte, o ato, destruídos.
Alex Wild diz:
- vai e corre em seu cérebro! 13/08/07
7/06/2007
Quando em Roma...
Gênero fragmento
Uma certa vez, ah! e que vez linda foi essa, a menina do meu coração chegou perto de mim, ficamos próximos um certo tempo... Que breve momento, a mais efêmera eternidade que se pode provar...
Terminou o inverno, a menina do meu coração voltou, senti que para ficar...
Ficou sim, um tempo, mas foi embora, e mesmo o inverno sendo rigoroso este ano, sabia que ele teria fim, era cortante, mas era também cicatrizável. Assim seguiu um período de verões e invernos, de chegadas e saídas da habitante do meu coração...
Até que um dia o inverno não terminou mais... Fiquei sem madeira para a fogueira, nesse momento minha companheira expectativa tornou-se a espera e esta a angústia, uma surpreendente sensação de esquina, em que alguém pode aparecer de súbito, e nunca aparece... Um olhar para a esquina, um barulho, uma folha, um automóvel, um olhar para a esquina, um devaneio qualquer, susto e sensação de que será agora! Passos, uma pessoa. É agora! Olho para a esquina.
É qualquer pessoa...
Fiquei amigo das geleiras que eram essas sensações, convivíamos de maneira calorosa, é claro, mesmo elas merecem ser bem tratadas, pois sendo eu irônico, não poderia deixar de tratá-las de modo diferente de todas outras pessoas, que tratam mal suas solidões, para que tais hóspedes, se sentindo mal recebidos, não pensem em voltar...
Eu fazia o oposto, amigável com minha solidão, angústia e espera, fiz com que elas gostassem de mim, e embora sempre voltassem, não vinham para me maltratar, se vingar por algum dia terem sido mal recebidas no hotel da minha vida, elas vinham para dizer um oi, e na maioria das vezes, acabavam ficando, mas dormíamos em quartos separados...
O que é o melhor de tudo isso, é que eu posso receber avisos de quando minhas malignas hóspedes vão chegar, reservo salas especiais, deixo-as bem à vontade, assim, somente assim, podemos conviver amigavelmente, elas acabam por me ensinar sempre, algo sobre mim... É bom surpreender-se consigo mesmo.
Menina, até que você vire aquela esquina, vou ter com minhas três pupilas; da solidão que me apresenta sempre a mim mesmo, da espera que faz questão de me lembrar você, e da angústia que me faz saber que, é dessa tempestade inquieta e que não se pode esperar nada, que eu gosto... Até que você vire a esquina e eu veja as três sorrirem para mim, no momento em que saem sem bater a porta, mas deixam-na aberta...
Alex Wild 22 de junho de 2007
Meio dia e quarenta e cinco
Até que vire a esquina
fragmento do discurso sobre o convívio amoroso e solitário
Uma certa vez, ah! e que vez linda foi essa, a menina do meu coração chegou perto de mim, ficamos próximos um certo tempo... Que breve momento, a mais efêmera eternidade que se pode provar...
Mas como já sabemos que tudo é passageiro, inclusive nossas alegrias, dizemos principalmente nossas alegrias, pois as delícias são menos duradouras que o sabor do amargo, mesmo que tenham durações idênticas, o amargo fica na lembrança da língua... Bem, outra certa vez a menina do meu coração foi embora. Como é grande o vazio do que nos escapa, calor intenso e breve seguido de inverno lendo, silencioso, às vezes uivante. Expectável na medida inversa de sua saída, sem expectativas de término.
Terminou o inverno, a menina do meu coração voltou, senti que para ficar...
Ficou sim, um tempo, mas foi embora, e mesmo o inverno sendo rigoroso este ano, sabia que ele teria fim, era cortante, mas era também cicatrizável. Assim seguiu um período de verões e invernos, de chegadas e saídas da habitante do meu coração...
Até que um dia o inverno não terminou mais... Fiquei sem madeira para a fogueira, nesse momento minha companheira expectativa tornou-se a espera e esta a angústia, uma surpreendente sensação de esquina, em que alguém pode aparecer de súbito, e nunca aparece... Um olhar para a esquina, um barulho, uma folha, um automóvel, um olhar para a esquina, um devaneio qualquer, susto e sensação de que será agora! Passos, uma pessoa. É agora! Olho para a esquina.
É qualquer pessoa...
Fiquei amigo das geleiras que eram essas sensações, convivíamos de maneira calorosa, é claro, mesmo elas merecem ser bem tratadas, pois sendo eu irônico, não poderia deixar de tratá-las de modo diferente de todas outras pessoas, que tratam mal suas solidões, para que tais hóspedes, se sentindo mal recebidos, não pensem em voltar...
Eu fazia o oposto, amigável com minha solidão, angústia e espera, fiz com que elas gostassem de mim, e embora sempre voltassem, não vinham para me maltratar, se vingar por algum dia terem sido mal recebidas no hotel da minha vida, elas vinham para dizer um oi, e na maioria das vezes, acabavam ficando, mas dormíamos em quartos separados...
O que é o melhor de tudo isso, é que eu posso receber avisos de quando minhas malignas hóspedes vão chegar, reservo salas especiais, deixo-as bem à vontade, assim, somente assim, podemos conviver amigavelmente, elas acabam por me ensinar sempre, algo sobre mim... É bom surpreender-se consigo mesmo.
Menina, até que você vire aquela esquina, vou ter com minhas três pupilas; da solidão que me apresenta sempre a mim mesmo, da espera que faz questão de me lembrar você, e da angústia que me faz saber que, é dessa tempestade inquieta e que não se pode esperar nada, que eu gosto... Até que você vire a esquina e eu veja as três sorrirem para mim, no momento em que saem sem bater a porta, mas deixam-na aberta...
Até que você vire a esquina, e surge sob a luz e brilhe meus olhos, até que você vire a esquina novamente... Avisando minhas hóspedes pra voltarem...
Até que vire a esquina...
Até que vire a esquina...
Alex Wild 22 de junho de 2007
Meio dia e quarenta e cinco
6/12/2007
Só mais uma de espelhos...
Gênero conto
Mark desta vez tomava banho quente e o chuveiro funcionava como dizia no manual de instruções, o que era raro. E com a bucha azul se esfregou tirando a sujeira do final de semana que, para ele, havia sido bizarro. Ruim não. Bizarro. Bom e Bizarro.
Desta vez ele estava calmo desde o início. No dia anterior ao ontem, ele limpara o espelho do banheiro, conseguia enxergar-se maravilhosamente bem. Seu reflexo ainda era leve, sua expectativa de vida longa. Pleno em si. Mas isso foi no dia anterior ao ontem. Agora era outra hora.
Mark pensou nos gregos antigos que não tinham energia elétrica, não podiam tomar um longo banho quente, não conheciam o cinema, nunca foram a uma rave, teve pena deles, mas lembrou-se que tinham bom gosto, lembrou-se de seu fantástico e imenso litoral recortado, das esculturas, templos, filosofias, teatros, mitologias, democracias, belezas, rythons e forças, das suas livres festas bacantes, mas realmente não conheciam os refrigeradores, os hambúrgueres dos fast foods, a televisão, o rádio, computador, internet, a música pop, as vidas virtuais, as facilidades ao toque dos dedos, os reality shows...
Feliz.
Em surpresa e voz alta! - Não é dos gregos que devo ter pena.
Um fluxo invertido de pensamento subiu à cabeça. Não quis se olhar no espelho nos próximos minutos. Estava envergonhado.
Continuou embaixo das quentes gotas, que o massageavam e construíam a ponte para o deslizar de seu pensamento, que agora, de longe de longe tivera que retornar...
Algo lhe chamou a atenção, nada havia se movido além do que sempre se move em um banho quente.
Limpou muito bem o espelho, agora via seu reflexo que em minutos se embaçava, por causa do vapor da água quente do banho em chocante contraste com o vidro mais fresco.
Mark sentiu-se vitorioso, conseguiu deixar o espelho livre do vapor de água, como se não estivesse perto da cachoeira quente do seu banho; grande façanha... mas havia algo de estranho nisso. Não era natural. Uma mudança horrível, uma atmosfera tão insuportável quanto o estar trancado em cômodo estreito sendo claustrófobo, um estado de corpo, mente e sentidos de estar em frente de leão. Inevitável descontrole, pequeno inseto hipnotizado pelo olhar do escorpião...
Pelo medo.
Viu seu reflexo, e este tinha movimentos próprios, e assim, assustado, não reagiu, algo mágico estava acontecendo e ele não estava só. A imagem refletida olhou dentro dos olhos de Mark e lhe disse:
- Tenho um recado para você garoto, aceita?
Mark sugeriu um sim com a cabeça ou com o pensamento, afinal, seu reflexo sabia tão de si quanto dele mesmo. Ou tanto de si mesmo quanto dele. Eram pessoa e seu reflexo, não eram?
Duvidou disso.
E continuou o límpido e autoconfiante reflexo:
- Não perca o seu tempo aqui, jovem, caso contrário você nunca mais o achará! É inútil.
- No espelho? – não disse, só pensou. Refletir-se sem reflexão. Aquele não sou eu. Nunca foi. Eu estou do lado de cá. Reflexão sem refletir-se.
- Jovem eu? E você? A voz ainda não saiu. - Há quanto tempo você esteve ai, sem que eu o visse? Há quanto tempo não enxergo quantas coisas?
Cérebro e culpa, pesos e dúvidas, tudo desabando. Avalanche de fichas caindo. Quis pegar mil fichas ao mesmo tempo, falhou...
Cai sobre si mesmo.
- Há quanto tempo só me vejo, sem me enxergar?
Ingênuo se questionava, ainda perplexo, mais pela novidade do que pelo sobrenatural conversar com o ser do espelho.
A imagem voltara a copiar os movimentos de Mark, como qualquer outro reflexo gentil, e agora, desesperado pela aparição e sumiço repentino, querendo-o de volta, esfregou tanto o espelho que este perdeu todo seu brilho, e não refletia mais, deixara de ser espelho, era agora vidro morto...
Mas Mark conseguiu enxergar-se através dele...
Disse em firme voz para seus ouvidos:
- Estou do lado de cá.
Desta vez a voz saiu.
Alex Wild 04 de junho de 2007
após um banho quente e tranqüilo
O Esfregar de Espelhos
O refletir da reflexão – uma questão de olhar
O refletir da reflexão – uma questão de olhar
Mark desta vez tomava banho quente e o chuveiro funcionava como dizia no manual de instruções, o que era raro. E com a bucha azul se esfregou tirando a sujeira do final de semana que, para ele, havia sido bizarro. Ruim não. Bizarro. Bom e Bizarro.
Desta vez ele estava calmo desde o início. No dia anterior ao ontem, ele limpara o espelho do banheiro, conseguia enxergar-se maravilhosamente bem. Seu reflexo ainda era leve, sua expectativa de vida longa. Pleno em si. Mas isso foi no dia anterior ao ontem. Agora era outra hora.
Mark pensou nos gregos antigos que não tinham energia elétrica, não podiam tomar um longo banho quente, não conheciam o cinema, nunca foram a uma rave, teve pena deles, mas lembrou-se que tinham bom gosto, lembrou-se de seu fantástico e imenso litoral recortado, das esculturas, templos, filosofias, teatros, mitologias, democracias, belezas, rythons e forças, das suas livres festas bacantes, mas realmente não conheciam os refrigeradores, os hambúrgueres dos fast foods, a televisão, o rádio, computador, internet, a música pop, as vidas virtuais, as facilidades ao toque dos dedos, os reality shows...
Feliz.
Em surpresa e voz alta! - Não é dos gregos que devo ter pena.
Um fluxo invertido de pensamento subiu à cabeça. Não quis se olhar no espelho nos próximos minutos. Estava envergonhado.
Continuou embaixo das quentes gotas, que o massageavam e construíam a ponte para o deslizar de seu pensamento, que agora, de longe de longe tivera que retornar...
Algo lhe chamou a atenção, nada havia se movido além do que sempre se move em um banho quente.
Limpou muito bem o espelho, agora via seu reflexo que em minutos se embaçava, por causa do vapor da água quente do banho em chocante contraste com o vidro mais fresco.
Mark sentiu-se vitorioso, conseguiu deixar o espelho livre do vapor de água, como se não estivesse perto da cachoeira quente do seu banho; grande façanha... mas havia algo de estranho nisso. Não era natural. Uma mudança horrível, uma atmosfera tão insuportável quanto o estar trancado em cômodo estreito sendo claustrófobo, um estado de corpo, mente e sentidos de estar em frente de leão. Inevitável descontrole, pequeno inseto hipnotizado pelo olhar do escorpião...
Pelo medo.
Viu seu reflexo, e este tinha movimentos próprios, e assim, assustado, não reagiu, algo mágico estava acontecendo e ele não estava só. A imagem refletida olhou dentro dos olhos de Mark e lhe disse:
- Tenho um recado para você garoto, aceita?
Mark sugeriu um sim com a cabeça ou com o pensamento, afinal, seu reflexo sabia tão de si quanto dele mesmo. Ou tanto de si mesmo quanto dele. Eram pessoa e seu reflexo, não eram?
Duvidou disso.
E continuou o límpido e autoconfiante reflexo:
- Não perca o seu tempo aqui, jovem, caso contrário você nunca mais o achará! É inútil.
- No espelho? – não disse, só pensou. Refletir-se sem reflexão. Aquele não sou eu. Nunca foi. Eu estou do lado de cá. Reflexão sem refletir-se.
- Jovem eu? E você? A voz ainda não saiu. - Há quanto tempo você esteve ai, sem que eu o visse? Há quanto tempo não enxergo quantas coisas?
Cérebro e culpa, pesos e dúvidas, tudo desabando. Avalanche de fichas caindo. Quis pegar mil fichas ao mesmo tempo, falhou...
Cai sobre si mesmo.
- Há quanto tempo só me vejo, sem me enxergar?
Ingênuo se questionava, ainda perplexo, mais pela novidade do que pelo sobrenatural conversar com o ser do espelho.
A imagem voltara a copiar os movimentos de Mark, como qualquer outro reflexo gentil, e agora, desesperado pela aparição e sumiço repentino, querendo-o de volta, esfregou tanto o espelho que este perdeu todo seu brilho, e não refletia mais, deixara de ser espelho, era agora vidro morto...
Mas Mark conseguiu enxergar-se através dele...
Disse em firme voz para seus ouvidos:
- Estou do lado de cá.
Desta vez a voz saiu.
Alex Wild 04 de junho de 2007
após um banho quente e tranqüilo
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